Do papel ao e-book: a migração do livro ao meio digital

Por Emeline Hirafuji

Desde o início da importação de tablets como o Kindle para o Brasil, no final de 2009, a quantidade de livros digitais em língua portuguesa foi um problema para quem procurava adquirir um título. Segundo uma pesquisa realizada pela empresa Simplíssimo, no começo de 2011 havia de 2 a 3 mil livros disponíveis em português. Já para o começo de 2012, a mesma pesquisa aponta que esse número aumentou de forma significativa e o consumidor agora pode escolher entre mais de 11 mil livros disponíveis no mercado. A Bowker Market Research – a Global e-book Monitor, revelou que 81% dos brasileiros afirmaram que sabem da existência do e-book, porém, apenas 18% deles já efetuaram um download ou uma compra.

Para Ricardo Sarto Costa, coordenador de projetos da CINQ Technologies, empresa que desenvolve softwares para livros digitais, a abertura no mercado brasileiro para o e-book começou com a popularização dos tablets. "As empresas começaram a identificar um novo negócio e estão se adaptando para oferecer diversas opções e soluções de leitura de livros e revistas", declara. Para ele, um dos principais atrativos do e-book é a praticidade de carregar o livro digital, já que em um aparelho de poucas gramas, é possível armazenar inúmeros títulos. Outro diferencial apontado por Costa é a interatividade que o livro digital proporciona. "É possível buscar conteúdos dentro dos livros e acessar links para outros capítulos, imagens, sons e materiais complementares na web", declara. Costa ainda afirma que a migração dos livros para os e-books será no sentido de disponibilizar os livros em uma nova plataforma, além da versão impressa, como um complemento e não uma substituição. "Acho que conforme as novas gerações forem ambientando-se com o e-book, cada vez mais ele se tornará o meio natural para leitura. Hoje escolas já estão pedindo tablets/e-books nas suas listas de materiais e esta geração com certeza vai achar tão natural ter um livro digital como ter um celular", finaliza.

"Em um ano, a quantidade de livros digitais
em português quase triplicou."

Para o estudante de engenharia elétrica, Gustavo Henrique Araújo, a falta de títulos em português ainda é uma barreira para a expansão dos livros digitais no Brasil, principalmente para livros mais específicos, como os acadêmicos. "A maioria dos livros que eu leio atualmente são da faculdade, com conteúdos técnicos e quase impossíveis de achar no formato digital e em português", declara.

Já a professora de educação física, Maria Luiza Carvalho, enfatiza que não deixaria de ler o livro impresso. "Não consigo me acostumar a ler um livro muito longo na tela do computador, ainda prefiro a sensação de pegar o livro e folhear", afirma. Para Alessandra Werner, publicitária, os livros digitais ajudam a encontrar textos e formatos mais criativos, que incentivam a interatividade e deixam a leitura mais atrativa, "o e-book chama muito a atenção e incita a imaginação, mostrando uma tela cheia de surpresas dentro do livro, onde cada elemento pode ter um significado ainda mais profundo", diz.

Registros apontam que o primeiro livro digital no mundo teria sido a carta de independência estadunidense, digitalizada em 1971 por Michel Hart. Somente 27 anos depois, em 1998, o primeiro código ISBN foi catalogado oficialmente, uma versão digital de Rocket e-Book and Softbook, do autor Kim Blagg. A partir desse primeiro passo, a evolução e a conquista do mercado foi mais rápida e, dois anos depois, o primeiro boom da história dos e-books foi registrado. Pela primeira vez um livro chegou à marca de 400 mil downloads em apenas 24 horas, com o título Riding the Bullet do escritor Stephen King. O segundo ponto marcante na história dos e-books foi o lançamento do tablet Kindle, que já lançou o seu produto com mais de 90 mil títulos disponíveis para download na sua página inicial, incluindo mais de 100 best-sellers da New York Times Company.
 
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