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Apenas “fazer a sua parte” não é o bastante As geleiras estão derretendo, a
Mata Atlântica está acabando, há centenas de espécies
em risco de extinção, outras já eram, as cidades estão
“explodindo” de gente... Mas, puxa, o que é que você
pode fazer? Será que vai adiantar?
Para Daniella Padula, diretora do Projeto de Mudanças Climáticas
do Conselho Britânico, órgão de relações exteriores
do Reino Unido, esse pensamento é muito influenciado pelo fato de que
os meios de comunicação costumam apresentar os desastres ambientais
como algo tão catastrófico, tão gigantesco, que parece
estar fora do alcance das nossas ações. “Não podemos
minimizar o problema, mas podemos trazer ele para mais perto de nós.”
O que Daniella quer dizer é que não é preciso ir muito
longe para começar a ajudar o meio ambiente. Sim, estamos falando daquelas
pequenas ações, como gastar o mínimo possível de
água, desligar a luz e os eletrodomésticos quando não estiverem
sendo usados, oferecer carona a colegas de escola ou trabalho quando você
usa o carro sozinho, separar o lixo corretamente, não desperdiçar
comida, etc.
Isso tudo é, sim, muito importante. Você não está
apenas fazendo a sua parte: está se tornando um cidadão preparado
para as exigências da vida no futuro. Mas não é tudo. “Hoje,
não existe isso de ‘fazer a sua parte’. Isso é o mínimo
que alguém pode fazer”, alerta Diogo Damasceno Filho, coordenador
da Rejuma — Rede de Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade —,
organização que reúne pessoas de 15 a 19 anos de todo o
Brasil envolvidas em estudos e ações ambientais. “É
preciso sensibilizar outras pessoas. Não posso fazer a minha parte e
ignorar o que o outro está fazendo do meu lado.”
Você sabe, por exemplo, como funciona a coleta de lixo do seu prédio?
Será que os outros moradores separam o lixo? Como será o consumo
de energia e água deles? O.K., você não pode bisbilhotar
e muito menos interferir na vida dos outros, mas pode pelo menos passar a eles
a mensagem que você já aprendeu. O mesmo vale para os outros ambientes
em que você vive, como a escola, as casas dos seus amigos e parentes,
enfim... Aproveite as reuniões de condomínio, os encontros de
pais e professores, as visitas de família, etc. para mostrar que todos
somos responsáveis pelo mundo em que vivemos. Não precisa virar
um “ecochato”, basta passar o seu exemplo para as pessoas nas suas
ações. E informe-se sobre questões ambientais, para garantir
que, sempre que o assunto surgir, você tenha algo interessante para comentar.
Pronto, agora sim você pode dizer que fez a sua parte. Fora isso, é
problema do governo, não acha? Opa, não é bem assim...
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