Pré + conceito
Vai saber...
 Ricas? Pobres? “Patricinhas”? Mães ou filhas?
 Irmãos? Pai, filho e avô? Estranhos?
Fotos: Zirzuke
e Maciej
Falinski
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Você sabe o que é preconceito?
Dicionários e especialistas têm várias definições
diferentes, mas todos concordam no seguinte: é um conceito que formamos
a respeito de algo ou alguém, antes mesmo de conhecer esse algo ou alguém.
Não é que a gente forme esse conceito sem qualquer tipo de informação.
Por exemplo: pode ser que você nunca tenha comido jiló, mas já
“odeia”, porque ouviu muita gente falar que é horrível.
Ou não vai com a cara do Zeca porque todo mundo fala que ele é
insuportável. Mas, na verdade, nunca nem tentou dizer “bom dia”
para ele. Entendeu? É um “pré-conceito”, ou seja,
você (acha que) já “sabe” o que vem pela frente, e
pode tanto estar certo, como redondamente enganado.
Essa mania é uma herança milenar
de nossos antepassados, como explica o educador e especialista em inteligência
e cognição Celso Antunes. “É biologicamente natural
sentir preconceito em relação a quem é diferente. O ser
humano tem uma tendência a se agrupar e se aproximar de seus semelhantes.
No começo, as pessoas se uniam pela sobrevivência e hostilizavam
outros grupos.”
Depois de formar os “pré-conceitos”,
normalmente passamos também a fazer classificações, de
acordo com algumas características principais que percebemos nos primeiros
contatos com certas coisas, pessoas ou grupos. Vamos tomar o exemplo do Zeca:
Você ouviu falar que ele é um chato, e ele parece estar sempre
com cara de bravo. Além disso, ele está um pouco acima do peso
para a média da sua sala. A sua mente vai colocar todas essas “informações”
(que, lembramos, podem fazer sentido ou não) no “liquidificador”
e é bem provável que você passe a associar “gordinhos
com cara de bravo” a “pessoas chatas”. A esse tipo de classificação
dá-se o nome de estereótipo. Aí, sempre que você
vir um gordinho com cara de bravo, vai achar que ele é tão chato
quanto o Zeca... Ei, mas você nem sabe se o Zeca é chato ou não...
xiii, que bagunça! Já deu para perceber o tamanho do estrago,
não? Mas ainda tem mais.
Agora imagine que, além de não
falar com o Zeca, você vai passar a virar a cara para o Jonas, a Lola
e o Cadu, que também estão acima do peso e parecem estar sempre
de mau humor. Conseguiu imaginar quanto sofrimento você estará
causando, sem perceber? E sobre você? Tem idéia de quanta gente
pode estar tendo idéias erradas a seu respeito nesse momento? Assim como
é difícil deixar de achar o Zeca um chato, pode ser tão
ou mais difícil convencer os outros de que você não é
ou faz aquilo que as pessoas pensam. E agora?
O mestre em Psicologia
Social pela Universidade Federal da Paraíba, Nilton Formiga,
explica o estereótipo como sendo resultado de um processo de
“economia cognitiva”. É como se a sua mente guardasse
apenas algumas informações que julga serem as principais
e jogasse fora o resto. Assim, ficaria mais fácil compreender
o mundo, sem guardar tantos detalhes diferentes. |
Como vimos, é natural que você estranhe pessoas que são
muito diferentes, e até que você faça algumas classificações
grosseiras, como, por exemplo, a de que todo garoto que está acima do
peso é chato. Ou seja, é possível entender a dinâmica
do preconceito, mas nada justifica atitudes discriminatórias. O preconceito
machuca as pessoas e gera sofrimento real e desnecessário.
• “Na balada, alguns caras desistem
de ficar comigo quando vêem que eu uso um aparelho nas pernas”,
relata Vanessa Bueno, jornalista. Quando era pequena e morava no interior do
Paraná, ela teve pólio e, por não ter recebido o atendimento
correto, possui dificuldades para andar.
• “Eu sou branca e meu pai é pardo. Na colônia onde
morávamos quando eu era pequena, as crianças não queriam
brincar comigo porque eu era a filha do preto. Ainda hoje, sinto uma
revolta muito grande com isso.”, desabafa Juliana, veterinária
de Pomerode (SC).
• “É como ter aquela sensação de que você
não é bem-vindo em um espaço que é de todos,"
diz Atiely Santos, rapper e videomaker de Campinas (SP) que já foi discriminada
por ser negra e ter uma orientação sexual diferente das outras
garotas.
• “Na última vez que estive em Salvador, um grupo de pessoas
negras passou por mim e disse: Ui, branco é cor de gente doente”,
conta o DJ curitibano Washington.
Bem, todo mundo sabe que agir preconceituosamente não é legal.
Mas é comum a gente se pegar discriminando as pessoas. Afinal, por que
é tão difícil combater o preconceito que existe em todos
nós?
O quê? Preconceituoso?
Eu?
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