Química do bem

Por Cesar Munhoz

Oi, galera. Tudo bem? A primeira coisa que eu queria contar para vocês é como foi difícil escolher um título para essa reportagem. A editora do portal virou pra mim e disse: “César, precisamos de uma reportagem que mostre para as pessoas como a química pode ajudar a melhorar o nosso mundo”. Eu disse “tudo bem”. Eu me arrependi um pouco quando cheguei em casa, liguei a televisão e vi uma notícia sobre vazamento de óleo tóxico em algum lugar do mundo. Tem química aí, né? Pois é, dei um sorriso amarelo, abri o computador e fui ao Google procurar alguma notícia boa que tivesse a ver com química. Mas só achei desastre. Os altos níveis de radiação no Japão depois que as usinas nucleares do país racharam com o terremoto de março de 2011, rios contaminados por resíduos industriais, agrotóxicos... Do mal, né? Para piorar, no fim da noite, quando eu já não tinha mais ideia do que escrever, passou um documentário falando sobre a indústria do plástico. Fiquei sabendo que todo o planeta, absolutamente tudo no planeta (até a gente), está coberto por uma fina camada de plástico, porque a gente usa plástico em tudo e porque esse é um material que se desprende muito fácil e que vai levar muito tempo para sumir da natureza. Tem química aí também. Cara, e agora? O que é que eu vou escrever? Que tudo vira plástico? Ou eu vou fazer um texto bem alegre, fingindo que nada disso existe? Minha cabeça começou a derreter. Chega! Desliguei tudo, escovei os dentes e fui dormir. Pensei: “Se o mundo não acabar hoje, quem sabe amanhã eu consiga achar um motivo para dizer que tem algo de bom nessa tal de química”. Segundos antes de roncar, lembrei que até na escola a química era do mal. Ô matéria difícil. Montão de nomes complicados, números, cálculos...