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Cyberbullying

Esta é a versão virtual do bullying, termo em inglês usado para descrever perseguições contra uma pessoa, praticadas por meio de agressões físicas ou psicológicas. Hoje, o cyberbullying está entre as violações que mais vitimam crianças e adolescentes na Internet.

O problema começa com uma brincadeira inocente na rede. Com o tempo, as piadas passam dos limites e vão se tornando mais agressivas e constantes. De repente, a criança ou o adolescente está recebendo todos os dias e-mails, recados no blog ou no site de relacionamento com xingamentos, ofensas e humilhações. “São comunidades e perfis falsos no Orkut, contas fraudulentas no Twitter, blogs anônimos, e-mails com montagens de fotos envolvendo a vítima, intimidação on-line”, descreve o psicólogo e diretor de prevenção da ONG Safernet, Rodrigo Nejm. No segundo semestre do ano passado, a Safernet Brasil ouviu 2.345 estudantes, com idades entre 5 e 18 anos, em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraíba, Maranhão e Pará. Dos entrevistados, 34% afirmaram que tiveram algum amigo agredido, ridicularizado ou chantageado pela Internet.

Crédito:GlowImages/ DPI Imagens

Ciberbullying: perfis falsos garantem o anonimato do agressor.

Os adultos devem ficar atentos: a mesma pesquisa da ONG mostrou que apenas 21,49% das vítimas comunicam a família quando se sentem agredidas ou em perigo na web. A maioria (38,89%) somente bloqueia o contato e denuncia virtualmente. “Os danos psicológicos são muitos. Dificuldade em estabelecer novos relacionamentos, queda no rendimento escolar, pânico para falar em público, insônia, depressão”, lista Rodrigo Nejm. Mais uma vez, para ajudar os filhos nesses casos, é importante acompanhá-los de perto, com afeto e diálogo.

Segundo o delegado Demetrius Gonzaga de Oliveira, chefe do Núcleo de Combate ao Cibercrime da Polícia Civil do Paraná, as pessoas que se tornarem vítimas dessa prática devem imprimir todo o material que comprove o fato e levá-lo à unidade policial mais próxima, para a lavratura do Boletim de Ocorrência. “Agora, se a família descobrir que o próprio filho pratica esse ataque à honra de outra pessoa, a única medida é tentar uma retratação junto à pessoa ofendida ou seu representante legal e torcer para que eles não decidam pela lavratura do Boletim de Ocorrência ou pelo ingresso de uma ação na Justiça por danos morais”, explica o delegado.