Semana de Arte Moderna




   Graça Aranha e o ataque à academia

Graça Aranha fez a abertura da semana com a conferência A Emoção Estética na Arte Moderna. Logo de cara, dava para ter uma idéia do clima que a semana teria. O conferencista começa elogiando os jovens e ousados artistas modernos:
"A remodelação estética no Brasil, iniciada na música de Villa-Lobos, na escultura de Brecheret, na pintura de Di Cavalcanti, Anita Malfati, Vicente do Rego Monteiro, Zina Aita, e na jovem e ousada poesia, será a libertação da arte dos perigos que a ameaçam do inoportuno arcadismo, do academismo e do provincianismo."

Mas logo se percebe que o assunto principal de seu discurso é o ataque veemente à arte acadêmica, suas regras e moldes:

"Ignoro como justificar a função social da Academia. O que se pode afirmar para condená-la é que ela suscita o estilo acadêmico, constrange a livre inspiração, refreia o jovem e árdego talento que deixa de ser independente para se vasar no molde da Academia. É um grande mal na renovação estética do Brasil e nenhum benefício trará à língua esse espírito acadêmico, que mata ao nascer a originalidade profunda e tumultuária da nossa floresta de vocábulos, frases e idéias. Ah! se os nossos escritores não pensassem na Academia, se eles por sua vez a matassem em suas almas, que descortino imenso para o magnífico surto do gênio, enfim liberto de mais esse terror."

Essa primeira conferência foi acompanhada pela declamação de poemas de modernistas como Guilherme de Almeida, Ronald de Carvalho e Sérgio Milliet. Nas escadarias do teatro, Mário de Andrade lia seu ensaio A Escrava que Não Era Isaura, uma paródia que ridicularizava a obra romântica de Bernardo Guimarães.

Na segunda parte da noite, a pianista Guiomar Novaes executou peças de Villa-Lobos.




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