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Desde 1915, um maestro era alvo das mais severas críticas.
Seu nome? Heitor Villa-Lobos (foto). Sempre que apresentava composições
próprias - como a Suíte Popular Brasileira,
para violão, ou os bailados Amazonas e Uirapuru
- ele dava um nó na cabeça da platéia.
Tudo porque ele apontava um novo rumo para a música brasileira:
a inspiração em temas folclóricos. Por mais
que Villa-Lobos buscasse os elementos mais tradicionais de nossa
cultura musical, a crítica insistia em tachá-lo de
"moderno demais" para o público brasileiro.
E assim sua fama de compositor "controvertido" e "diferente"
não demorou a se espalhar. Por isso, Graça Aranha
e Ronald de Carvalho não hesitaram um só segundo em
escolher quem seria o representante musical da Semana de Arte Moderna.
De fato, a busca de Villa-Lobos pelas raízes da música
brasileira tinha muita afinidade com as idéias dos modernistas.
Ele rejeitava convenções, modelos e academicismos,
que chamava de "música papel".
Convite aceito, o maestro executou suas obras nas noites de 13
e 17 de fevereiro - primeiro e último dia da semana -, quando
apresentou as composições Danças Características
Africanas, Sonata nº 2, Quarteto Simbólico e Impressões
da Vida Mundana.
A última noite da semana era especialmente dedicada à
música. E quem foi ao Teatro Municipal à procura de
mais escândalos não perdeu a viagem. O compositor teria
se apresentado vestido a caráter, não fosse por um
detalhe: ele usava chinelos. Mais um motivo para a platéia
se esgoelar de tanto vaiar. Só que dessa vez não era
nenhuma afronta. Villa-Lobos simplesmente machucara o pé.
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