Os alunos da pré-escola
do colégio conheceram o Parque de Material
Aeronáutico de São Paulo (Pama-SP),
no Campo de Marte e, nesta reportagem, contam como
funciona essa base aérea responsável
pela defesa da cidade de São Paulo; como se
formam aviadores no país; os problemas enfrentados
pela falta de dinheiro na Força Aérea
e como foi a apresentação da Esquadrilha
da Fumaça no aniversário da cidade.
Embora
sejam pequenos, os estudantes que visitaram o Campo
de Marte aproveitaram muito o passeio, tendo a chance
de saber como é feita a pesagem dos aviões
da Força Aérea Brasileira (FAB), conhecendo
de perto a cabine de comando dos caças F5,
mexendo nos botões e no manche e vendo de perto
um pára-quedas e até o rádio
desses poderosos aviões.
Eles adoraram ver os helicópteros e aviões
de pequeno porte decolarem e aterrissarem e ouvir
o barulho do motor e sentir o vento que vinha das
máquinas. Durante o passeio, viram ainda um
dirigível parado e demonstrações
de aeromodelismo.
A
visita foi acompanhada pelo sargento Almeida, o superior
oficial Luiz Antônio e o sargento Kiss, que
responderam às perguntas dos alunos sobre o
funcionamento do Pama e da FAB.
Qual é a importância da Força
Aérea para a segurança do país?
A missão da Academia da Força Aérea
é formar homens, desenvolvendo, incentivando
e aprimorando seus atributos intelectuais, morais
e físicos, para que, ao final desse processo,
como oficiais, eles sejam verdadeiros líderes,
com capacidade e eficiência à altura
dos padrões de uma moderna Força Aeroespacial.
A proteção ao vôo no Brasil obedece
a um sistema integrado que compreende o controle de
tráfego aéreo e a defesa aérea.
O Ministério da Aeronáutica é
responsável pela instalação,
operação e manutenção
da extensa rede de equipamentos, que funcionam 24
horas por dia, no auxílio à navegação
e ao pouso, tanto da FAB quanto da aviação
civil.
Por que ter aviões como esses num país
que não tem guerras e não pretende participar
de nenhuma?
A FAB tem a suprema missão de defender, nos
ares, a integridade e a inviolabilidade do espaço
aéreo do território nacional. E o seu
desenvolvimento é fomentado em todos os aspectos:
poder de destruição, capacidade de penetração,
alcance, velocidade e mobilidade. A eventualidade
de um conflito armado não pode ser desprezada
nem mesmo pelos países amantes da paz como
o Brasil. Hoje, nossa Força Aérea é
um elemento militar altamente eficiente, preocupado
em se manter atualizado e preparado a cada segundo.
No Campo de Marte, são realizados os reparos
e as manutenções dos aviões.
Eles passam por essa revisão a cada 100 horas
de vôo.
Os aviões do Campo de Marte defendem apenas
São Paulo?
Os aviões caça defendem todo o território
brasileiro, principalmente a Amazônia. E, de
seu papel inicial de elemento de observação,
poderão evoluir para participantes ativos no
conflito. Se, de um lado eles se aprimoraram como
arma de ataque, de outro, como era natural, igualmente
se desenvolveram como arma de defesa. O Ministério
da Aeronáutica é o responsável
pela área dos céus do Brasil. Quando
algum avião ou outro instrumento não
solicita autorização para uso de nosso
espaço aéreo, todo o esquadrão
de vôo é convocado a ficar em alerta
vermelho. Se o “intruso” persistir em
invadir esse espaço, será interceptado
ou abatido pela Guarda Nacional.
Como
é a carreira dos oficiais na FAB?
Para a formação e aperfeiçoamento
do pessoal, a FAB conta com diversos estabelecimentos
de ensino. A Escola Preparatória de Cadetes
do Ar, com sede em Barbacena (MG), prepara alunos
para o oficialato; a Academia da Força Aérea,
em Pirassununga (SP), forma os oficiais da ativa,
aviadores e intendentes; enquanto a Escola de Especialistas
da Aeronáutica, em Guaratinguetá (SP),
forma sargentos especialistas. A Escola de Oficiais
Especialistas e de Infantaria de Guarda, em Curitiba
(PR), destina-se ao aproveitamento, em nível
superior, dos sargentos especialistas. A Escola de
Aperfeiçoamento de Oficiais, em São
Paulo, tem por fim atualizar os conhecimentos técnicos
dos oficiais. A Escola de Comando e Estado-Maior da
Aeronáutica prepara, no Rio de Janeiro, oficiais
superiores que aspiram ao generalato. O Centro Técnico
Aeroespacial, em São José dos Campos
(SP), de nível superior, compreende várias
entidades de pesquisa e desenvolvimento, entre as
quais o Instituto Tecnológico da Aeronáutica,
o ITA.
Como se faz para se tornar piloto da FAB?
Somente o Curso de Formação de Oficiais
Aviadores da Academia da Força Aérea
prepara o piloto militar. Ele tem duração
de quatro anos, nível superior, turno integral
e regime de internato. Não há concurso
direto; o candidato deve passar pela Escola Preparatória
de Cadetes do Ar e precisa ter o Ensino Médio
completo.
Como é feita a seleção e
quanto tempo leva para aprender a voar?
Os cadetes do Curso de Formação de Oficiais
da Infantaria da Aeronáutica estudam métodos
de proteção e segurança das instalações
militares, utilização de defesa antiaérea
de aeródromos e sítios, comando de frações
de tropas e de equipes antiincêndio, legislação
militar e emprego de armamento, serviço militar
e mobilização. São dadas instruções
de pára-quedismo, o que capacita os futuros
oficiais para o desempenho de suas missões
de ataque e resgate. Levam quatro anos para aprender
a voar. São dois anos de treinamento para cada
tipo de avião caça.
E voar dá medo?
Nesses quase cem anos, os aviões jamais estiveram
tão velhos e sucateados quanto estão
agora. O risco de morte na FAB é hoje muito
maior que há trinta anos. Mesmo assim, os pilotos
adoram sentir a emoção de voar.
História
Poucos
aeroportos do país tiveram, ao longo de sua
história, papel tão importante no desenvolvimento
da aviação civil e militar como o Campo
de Marte. Em 1935, este era o único aeroporto
de São Paulo que tinha uma certa infra-estrutura.
Atualmente, ele não conta com linhas aéreas
comerciais regulares. Abriga o Serviço Aerotático
da Polícia Civil, o Grupamento de Radiopatrulha
Aérea da Polícia Militar do Estado de
São Paulo, o Aeroclube de São Paulo
e a maior escola de aviação da América
Latina. Além disso, a maior frota de helicópteros
do Brasil está no aeroporto. O movimento dessas
aeronaves é de cerca de 6.040 pousos e decolagens
por mês.
Pobre FAB
O mais novo caça da FAB tem mais de 22 anos
de uso e era considerado de “terceira linha”
já quando chegou. Desde o início da
Nova República, nenhum caça novo foi
comprado pelo país.
As estrelas, para os pilotos, são os caça
Xavantes, fabricados no Brasil. Mas o mais novo deles
tem 20 anos de uso. Alguns têm 30 anos, e a
maioria está com a vida útil esgotada.
Outros aviões de destaque são os AMX.
Construídos em parceria com a Itália,
os AMX são menos velhos, mas ainda assim em
pouca quantidade e com a parte eletrônica já
obsoleta. Além disso, toda a frota de aviões
de ataque da FAB vive no chão, sem combustível
ou peças de manutenção.
| A
Esquadrilha da Fumaça se apresenta nos
450 anos de São Paulo

No último dia 25 de janeiro, cerca de
180 mil pessoas presenciaram um grande espetáculo
do Esquadrão de Demonstração
Aérea (EDA), carinhosamente conhecido
como Esquadrilha da Fumaça. O evento
foi realizado nas dependências do Parque
de Material Aeronáutico de São
Paulo (PAMA-SP), por ocasião das comemorações
dos 450 anos da cidade.
A festa foi um presente da Força Aérea
Brasileira para a população da
maior cidade do país, que possui um dos
mais intensos tráfegos aéreos
do mundo, marcando o retorno da Esquadrilha
a São Paulo, que não assistia
a uma apresentação dela desde
1996.
Mesmo com o característico céu
cinzento da capital paulista, o público
foi brindado com manobras arrojadas e precisas,
respondendo com aplausos e muita vibração.
As crianças eram os mais encantados
com a perícia dos pilotos da Esquadrilha
da Fumaça: os olhos atentos e os sorrisos
demonstravam a sincera admiração
com o show aéreo. |
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