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como ocorreu a imigração em São
Paulo. Veja os detalhes desse processo: desde a viagem
até a hospedagem dessa gente que impulsionou
o crescimento da capital.
A imigração em São Paulo
A
imigração em grande escala para o Brasil
teve início por volta de 1870 — muito
antes, portanto, da Abolição da Escravatura.
Se até 1888 a contratação de
imigrantes era uma alternativa à mão-de-obra
escrava, com a promulgação da Lei Áurea
isso se tornou uma necessidade.
A fim de suprir a carência de mão-de-obra
na lavoura, a oligarquia paulista utilizava seu prestígio
político e estimulava a vinda de trabalhadores
europeus com passagens subsidiadas pelo governo. O
destino daqueles trabalhadores eram as fazendas de
café do interior do estado. Uma breve redução
do fluxo imigratório da Europa possibilitou,
a partir de 1908, a entrada de asiáticos, principalmente
japoneses.
Para
receber o crescente número de imigrantes, em
1882, foi criada uma hospedaria no bairro do Bom Retiro.
Pequeno e com graves problemas de epidemias, o local
mostrava-se cada vez mais inadequado para a recepção
dos europeus.
A imigração em São Paulo
II
Em 1887 foi inaugurada a hospedaria de imigrantes,
no bairro do Brás. Maior e sem os problemas
da primeira, foi administrada pela Sociedade Promotora
da Imigração durante os dez primeiros
anos de funcionamento.
A maior parte dos imigrantes chegava a São
Paulo pelo porto de Santos. Nos trens da São
Paulo Railway, subiam a serra e desembarcavam na estação
ferroviária da própria hospedaria. Ali
eram alojados em amplos dormitórios coletivos,
faziam três refeições diárias
e recebiam a assistência médica necessária.
Ali também celebravam seus primeiros contratos
de trabalho. Contratados, faziam nova viagem de trem,
partindo da estação da hospedaria com
destino às mais diversas regiões do
estado.
A imigração em São Paulo
III
Após
anos de trabalho, os imigrantes acabaram por deixar
o campo. Nas cidades, especialmente na capital, eles
iriam formar a grande massa de operários que
movimentou a indústria paulista em seus primeiros
tempos.
Esse longo e atribulado processo resultou na vinda
de quase três milhões de imigrantes para
o estado de São Paulo, compondo um mosaico
de cerca de 70 nacionalidades. Esse volume representa
mais da metade dos imigrantes que se dirigiram para
o Brasil.
A viagem
No
início do processo imigratório, as viagens
eram realizadas em navios a vela, que, por estarem
sujeitos a variações climáticas,
levavam até 60 dias para vir da Europa até
aqui. Com o advento dos navios a vapor, no final do
século XIX, esse tempo foi reduzido para cerca
de 20 dias, em média. Os imigrantes eram alojados
em porões úmidos e pouco ventilados,
o que favorecia a proliferação de doenças
contagiosas. Não eram raras as ocorrências
de mortes e, até mesmo, de nascimentos durante
o percurso.
Para ajudar a passar o tempo, eram organizadas festas,
jogos e brincadeiras, que distraíam e divertiam
os viajantes durante o trajeto.
Após tantos dias no mar, a chegada ao porto
de Santos era sempre um alívio. Ao desembarcar,
os imigrantes eram imediatamente conduzidos a um trem,
que os transportava do porto de Santos à estação
ferroviária da hospedaria de imigrantes, na
cidade de São Paulo.
A hospedaria de imigrantes
Concebida
pela Sociedade Promotora de Imigração,
a hospedaria de imigrantes, onde hoje está
instalado o Memorial do Imigrante, era um grande conjunto
de prédios destinado a abrigar os recém-chegados
em seus primeiros dias em São Paulo. Funcionava
como uma espécie de hotel mantido pelo governo.
Construída entre os anos de 1886 e 1888 para
substituir a velha e acanhada hospedaria do bairro
do Bom Retiro, a hospedaria de imigrantes do Brás
foi planejada para abrigar três mil pessoas.
Em situações especiais, chegou a receber
oito mil de uma única vez.
Por lá passou a maior parte dos imigrantes
que se mudou para o estado de São Paulo.
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| Antes: Hospedaria dos Imigrantes |
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| Hoje: Museu dos Imigrantes |
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