| Depois de visitarem
o edifício Martinelli, os alunos do Colégio
Dante Alighieri contam um pouco da história
desse prédio, que foi inaugurado em 1930 e
já foi o maior da América Latina.

Edifício Martinelli
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Com a intenção de se tornar conhecido,
Giuseppe Martinelli, imigrante italiano que fez fortuna
no Brasil, batizou com seu próprio nome o edifício
que mandou construir. Diplomado na Itália pela
Escola Popular de Belas Artes, esse imigrante chegou
a São Paulo em 1893 e exerceu muitas profissões.
Com o passar do tempo, galgou posições
sociais, recebeu homenagens e o título de comendador.
O edifício Martinelli, que se localiza na
Avenida São João, foi o primeiro arranha-céu
da cidade de São Paulo e o mais alto da América
Latina até o final da década de 1920.
Essa obra revela uma mistura de estilos europeus,
bem ao gosto da época.
Giuseppe Martinelli projetou uma construção
totalmente de concreto armado, com 25 andares e 100
metros de altura, que se iniciou em 1922 e foi finalizada
em 1930. O edifício possuía 1.267 dependências,
entre salões, apartamentos, restaurantes, cassinos,
night clubs, barbearia, lojas, uma igreja,
o luxuoso Hotel São Bento e também o
famoso Cine Rosário. E, para provar que o prédio
era seguro, o proprietário passou a morar na
cobertura.

Cobertura onde Giuseppe M. morou |
Com essa construção, teve início
o movimento de verticalização da cidade.
O edifício Martinelli foi, durante muitos anos,
o símbolo da pujança paulistana e o
mais alto prédio da cidade, só perdendo
esse título bem mais tarde para o edifício
Banespa, com 36 andares. Apesar da perda do status
de mais alto, o edifício Martinelli fez um
sucesso enorme. Prova disso é que até
mesmo celebridades internacionais vieram ao Brasil
especialmente para conhecê-lo.
Esse imigrante italiano, diplomado pela Escola Popular
de Belas Artes, logo que se mudou para São
Paulo, em 1893, exerceu as profissões mais
humildes (como açougueiro, por exemplo), para
depois alcançar as mais altas posições,
recebendo inclusive comendas honoríficas e
homenagens de toda ordem. Entretanto, a construção
do prédio foi cercada por vários problemas,
entre eles, a umidade excessiva do lugar. A ação
do tempo e o impacto modernizador acabaram deteriorando-o
e, por isso, em 1978, durante o governo do prefeito
Olavo Setúbal, o edifício passou por
reformas e restauração de sua fachada.

Edifício Banespa (branco |
Em meados da década de 1950, o abandono do
prédio e sua ocupação desordenada,
decorrentes do descaso das autoridades e da política
habitacional, mudaram o aspecto do edifício:
o Martinelli transformou-se em um grande cortiço
ocupado por um enorme número de famílias.
Passou a ser considerado como um "cortição",
que não tinha sequer uma legislação
de condomínio. E o prédio tornou-se
uma verdadeira cidade que tinha de tudo: sindicatos,
bares, lojas, restaurantes, cortiços, hotéis
e bancos, além de trabalhadores formais e informais
convivendo juntos — uma reprodução
do que acontecia no centro de São Paulo, mas
em uma menor escala. Todos os conflitos e problemas
de ocupação que ocorriam no centro da
cidade se reproduziam no edifício Martinelli.
Pressionada pela mobilização popular
e pela imprensa, a Prefeitura de São Paulo
desapropriou parte do prédio em 1975. Apesar
disso, alguns proprietários conseguiram permanecer,
conseguindo o acesso à propriedade; já
para outros isso não estava bem definido, o
que acabou resultando em ocupações irregulares.
Por meio da Emurb e da Construtora Guarantã,
a obra de reforma do prédio foi iniciada naquele
mesmo ano. Quatro anos mais tarde, o edifício
Martinelli estava novamente pronto, ocupado basicamente
por escritórios, sendo dezoito andares de repartições
públicas municipais, e o restante de particulares.
Em 1992, o Martinelli foi finalmente tombado pelo
Patrimônio Histórico: "Os elementos
decorativos neoclássicos, a cobertura de ardósia
com mansardas falsas, um palacete de três andares
no terraço e a roupagem de tijolos recobrindo
a estrutura de concreto. Tais elementos estão
a indicar a persistência do gosto eclético
na arquitetura paulista", justifica a Resolução
37 do Compresp. A Operação Urbana Centro
encaminha atualmente projetos e ações
de restauração do prédio em parceria
com a Associação dos Amigos do Prédio
Martinelli.
Mitos populares
Histórias de fantasmas habitam a imaginação
e fazem parte da vida de pessoas que convivem em lugares
marcados por tragédias. Funcionários
e visitantes de dois grandes edifícios de São
Paulo (Andraus e Martinelli) afirmam que os prédios
são habitados por fantasmas e que ouvem barulhos
estranhos. O edifício Martinelli, localizado
no centro de São Paulo, guarda histórias
assustadoras sobre uma "hóspede"
inusitada.
Acredita-se que uma moça loira e sem rosto
circula pelo interior do edifício Martinelli
durante a noite. Ela teria os cabelos compridos, impedindo
que sua face possa ser vista. Algumas pessoas afirmam
que já viram máquinas de escrever funcionarem
sozinhas e portas de armários baterem. Os funcionários
e visitantes que conhecem a história afirmam
que a loira deve ser da época do inicio da
construção (por volta de 1930) e que
ela percorre o edifício até os dias
de hoje.
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