| Os alunos do Colégio
Dante Alighieri contam a história do Obelisco
dos Heróis, monumento construído em
homenagem ao soldado constitucionalista de 1932, e
falam sobre a degradação que a obra
vem sofrendo ao longo dos anos. Confira!
Galileo
Emendabili é o autor do monumento Obelisco
Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 1932,
o Obelisco dos Heróis. Além dessa importante
obra, Emendabili fez inúmeras e belíssimas
outras obras de arte e monumentos, mas o Obelisco
é mesmo um de seus melhores trabalhos, que
presta homenagem a todos aqueles que fizeram a Revolução
Constitucionalista de 1932 ou participaram de sua
criação.
Iniciou-se, para São Paulo e para o artista,
então, um verdadeiro calvário para erigir
a obra, a qual somente pôde ser iniciada em
1950, depois da redemocratização do
país.
Cicilio Matarazzo, marido de Iolanda Penteado, então
presidente da Comissão para a Celebração
do Quarto Centenário de São Paulo, encarregou-se
de colocar a pedra fundamental do monumento, precariamente
inaugurado em 1954 por ocasião de festividades.
O Obelisco, da cripta até o vértice,
é revestido, externamente, em mármore
travertino romano clássico e, no interior,
em mármore botticino florentino.
Curiosidade
As medidas do Obelisco encerram alguns significados.
Veja um exemplo:
A largura maior do interior da cripta é de
32 metros lineares. Cada lado da base menor do obelisco
trapezoidal tem 9 metros lineares. Cada lado menor
do obelisco trapezoidal junto ao topo mede 7 metros
lineares. No centro da cripta, olhando-se para os
lados e para o alto, obtém-se a seguinte relação
numérica: 32\09\07 — ou seja, dia, mês
e ano da Revolução de 1932.
Entrevista com Paulo Emendabili Souza Barros Carvalhosa,
filho de Galileo
O que o Obelisco representa para você, o
estado de São Paulo e o Brasil?
Paulo: O "Obelisco do Ibirapuera",
como ele também é chamado, não
é um simples monumento. É, mais do que
isso, um conjunto escultural, pictórico e arquitetônico
complexo, concebido por Emendabili pensado nos mínimos
detalhes quanto às alegorias e à simbologia
expressa nas esculturas. Apresenta alto e baixo relevo
e mosaicos, todos integrados nos dois elementos arquitetônicos
que o compõem — a cripta subterrânea
e o sobranceiro Obelisco —, orientados para
os quatros pontos cardeais e com medidas que encerram
determinado significado.
O que você acha do fato de uma empresa de
telefonia estar reformando o monumento?
Paulo: Fico atormentado ao imaginar o destino
deste e de outros monumentos de São Paulo e
revoltado ao pensar que podem estar, como o obelisco,
“sobre o fio da navalha”, nas mãos
de alguns espertos que se apresentam como dispostos
a "restaurá-los", desde que possam,
antes, explorá-los no lucrativo negócio
do "restauro", que lhes proporciona justificativa
para fazer propaganda predatória e ativo de
"marketing social".
Também me entristece pensar que, por ambição
desmedida e ofensiva, o mais afirmativo monumento
de São Paulo, tradutor de sua história
e representativo dos mais profundos sentimentos e
valores do povo paulista, ficou excluído das
comemorações pelos 450 anos de São
Paulo.
O propagado "restauro" nunca saiu do papel,
e o monumento foi tão somente usado como “poste
de propaganda".
O que você tem a dizer sobre o vandalismo
que o Obelisco sofreu?
Paulo: Acredito que seja um infeliz sinal de
um tempo no qual o valor do mercado e do marketing
supera a medida da humanidade, aliado a um descaso
das autoridades com relação ao patrimônio
cultural público, que tem sido absolutamente
desprezado, a denunciar nosso grau de incivilidade
e falta de cidadania.
O acesso ao Obelisco é difícil?
Paulo: Sempre foi. Para que cada brasileiro
não soubesse repousar no monumento os valores
maiores de democracia e liberdade guardados nos 850
homens acampados na cripta e no profundo e complexo
simbolismo encerrado no monumento.
Atualmente, com o estado de deterioração
de suas fundações, que se confunde com
o estado de apodrecimento moral de quem nos governa,
ele está correndo o risco de desabar. Enquanto
o monumento e a nação não forem
restaurados e reconduzidos a valores que devem nortear
um povo que se quer livre e civilizado, há
perigo em lá adentrar.
Monumento em risco de queda
Problemas sérios na estrutura do Obelisco
dos Heróis, que fica no Parque do Ibirapuera,
zona sul de São Paulo, estão causando
instabilidade e colocando em risco quem passa ou trabalha
na região. Segundo engenheiros, não
está descartada a possibilidade de que o monumento
desabe ou afunde. Os sinais de que há algo
errado com a estrutura de 81 metros — 72 deles
visíveis e nove abaixo do solo — estão
comprovados em laudo assinado pelo engenheiro Marcos
Moliterno, já entregue à Justiça.
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