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Edifício Copan

Projetado pelo arquiteto Oscar Niemayer, o edifício Copan abriga nada menos do que 5 mil pessoas. Ele é considerado o símbolo da arquitetura moderna por causa de seus traços arrojados. Confira as impressões que os alunos do Colégio Visconde de Porto Seguro tiveram do grandioso edifício.

O edifício Copan, um dos símbolos da maior metrópole brasileira, abriga cerca de 5 mil pessoas em seus 1.160 apartamentos. Por causa desses números, foi incluído no Guiness Book, o Livro dos Recordes. O prédio de 32 andares, construído em 1951, foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e tem a maior estrutura de concreto de São Paulo.

Considerado um marco da arquitetura moderna da capital paulista, o Copan foi construído pela Companhia Pan-Americana de Hotéis e Turismo para se tornar um grande complexo hoteleiro que compreenderia, além de apartamentos de luxo, teatro, cinemas, restaurantes, jardins, lojas e garagens subterrâneas.

No entanto, o projeto nunca foi levado adiante. Depois de numerosas alterações feitas no projeto original, as obras foram concluídas em 1966, supervisionadas por Carlos Lemos.

O prédio tem 115 m de altura, 120 m2 de área construída, 20 elevadores, consumo de 1 milhão de litros de água por dia, 1.160 apartamentos que variam de 26 a 360 m2 e cerca de 5 mil moradores distribuídos em 6 blocos: o bloco A, onde vivem as pessoas de renda média; o B, onde estão as quitinetes; o bloco C, de apartamentos com 3 quartos; o D, onde vivem as pessoas com maior poder aquisitivo; o bloco E, onde o numero de cômodos é variado; e o F, com inquilinos de renda modesta. No térreo, distribuem-se cerca de 70 lojas.

Sua arquitetura em forma de “S” constitui-se em um símbolo da cidade moderna, não só por causa das linhas arrojadas, mas também por outras características: concreto armado, altura, ocupação mista de apartamentos, comércio e alta densidade populacional. O Copan simboliza a bandeira de São Paulo ao vento.

O nome do local foi inspirado num templo maya de Honduras. Essa “homenagem” ajuda a fundamentar algumas das diversas lendas sobre o edifício e seu arquiteto.
No final de 1991, o zelador achou uma estranha inscrição na garagem do prédio. Tratava-se de algo entalhado num alfabeto que ele desconhecia. Na ocasião, o zelador tirou fotos e apresentou o material a um professor do Departamento de Antropologia da PUC-SP. O acadêmico lhe garantiu que a inscrição estava no alfabeto maya, exatamente no estilo dos escritos do templo de Copan.

Um breve resumo de como é o ambiente no edifício Copan

Circulam diariamente no edifício Copan moradores vindos de todos os pontos do planeta, de todas as raças, todas as idades, todos os credos e todas as classes sociais.

A convivência entre os cerca de 5 mil moradores não é, exatamente, o que poderíamos chamar de um “mar-de-rosas”. O porteiro Lourival dos Santos, empregado do Copan há 16 anos, lembra-se de dias mais violentos. Certa vez, ele teve de enfrentar um visitante armado que queria subir a qualquer custo para cobrar uma dívida de um inquilino. "Aí, meu chapa, quando a coisa fica feia, só mesmo chamando a polícia", resume Santos.

O bloco B leva a fama de "bad bloco". Durante um bom tempo, o Copan esteve associado à moradia de transexuais, homossexuais e travestis, e era exatamente no bloco B que a situação ficava mais tensa. Para o síndico Afonso de Oliveira, contudo, a fama do bloco B faz parte da paisagem natural do edifício. "No Copan, não existe discriminação nem preconceito. O que o morador faz dentro do apartamento é problema dele", diz. "Há travestis que são proprietários e nunca me deram trabalho. A convivência aqui é pacífica e ordeira."

Carlos Lucas, 26 anos, está no Copan há um ano e meio e é o responsável pela Igreja Renascer em Cristo, situada no andar térreo, onde outrora funcionava o Cine-Teatro Copan. Ele comanda os cultos da madrugada e afirma que 50% dos freqüentadores da igreja são moradores do prédio. "As pessoas que moram no Centro de São Paulo vivem sob a pressão do 'principado', que são as forças do mal e atuam negativamente sobre as finanças, a moral e o emocional das pessoas", enfatiza o pastor.

Nessa "cidade", onde são consumidos 1 milhão de litros de água por dia e cuja arrecadação mensal é da ordem de 290 mil reais, vive um mágico. Giovanni Rodrigues, de 38 anos, mora desde os 18 no Copan. Ele diz que houve um incidente em que um menino caiu do 21.º andar e foi parar na laje diante de sua janela. "Graças a Deus, ele não morreu! O episódio saiu até em revista."

 

Entrevistas com moradores do Copan

Bloco A

Nome: Paula
Idade: 37 anos
Profissão: Publicitária
Moradora há três anos
Ela disse que gosta muito de morar no Copan e não tem críticas para fazer sobre o edifício. Seu apartamento é pequeno, mas, segundo ela, é muito bom. Ela não tem amigos que moram no edifício. Um acontecimento marcante: encontrou Jô Soares no hall de seu prédio.

Nome: Anderson
Idade: 32 anos
Profissão: Enfermeiro
Morador há seis anos
“Gosto muito do Copan”, disse Anderson, que não fez nenhuma crítica ao edifício. “Moro em um apartamento muito bom, não muito grande, mas bem aconchegante. Tenho muitos amigos aqui”.
Ele contou que há muitas brigas na igreja quando são feitas reuniões, que geralmente são às sextas-feiras. Muitos dos freqüentadores dessas reuniões são roqueiros.

Nome: Yan
Idade: 33 anos
Profissão: Professor de Ciências
Morador há quatro anos
“Não há melhor lugar em São Paulo para se morar que o Copan. Gosto muito daqui”, disse Yan. Ele mora em uma quitinete e afirmou que esse tipo de apartamento é bom apenas para uma pessoa. “Não tenho amigos, pois não paro muito por aqui. Prefiro ficar andando ou trabalhando, fazendo minhas coisas pela rua.” Ele contou um fato muito engraçado: uma senhora, já com uma certa idade, para aparecer, colocou fogo em jornais e jogou-os em sua própria varanda. Ele disse que, quando chegou ao prédio, viu muita fumaça e vários carros de bombeiros.

Bloco B

Nome: Tamara
Idade: 23 anos
Profissão: Garota de programa
Moradora há dois anos
Não há nada no Copan de que Tamara não goste. Ela mora em uma quitinete com uma amiga, tem muitos amigos e comentou que no edifício foi feita uma propaganda da Coca-Cola para a França.
Obs.: Quando estávamos fazendo a entrevista, começamos a comentar sobre as garotas de programa que ficavam durante a noite do lado de fora do Copan e ela nos falou que era uma delas. Ela disse que, apesar de ser uma garota de programa, “nunca foi desrespeitada”. Tamara não quis ser fotografada para não prejudicar seu trabalho.

Bloco C

Nome: Daniel
Idade: 37 anos
Profissão: Administrador de empresas
Morador há um ano
“Gosto muito daqui, acho o edifício muito prático e eficiente. A única coisa que me incomoda é o barulho da boate aqui em frente. Meu apartamento é muito bom, tem 170 m²”, disse Daniel, que mora com o irmão. Ele contou que tem amigos no Copan, mas nenhum muito próximo.

Bloco D

Nome: Elizangela
Idade: 28 anos
Profissão: Garçonete
Moradora há sete meses
Elizangela tem muitos amigos no Copan, e seu apartamento é bom. “Gosto muito daqui”, disse ela. Elizangela relatou uma curiosidade: o Copan é cheio de atrizes e atores.

Bloco E

Nome: Fátima
Idade: 46 anos
Profissão: Manicure
Moradora há sete anos, mas trabalha aqui no salão há 18 anos.
Ela conta, superempolgada: “Fiz as unhas de várias atrizes famosas. Amo o Copan, tenho várias amigas aqui no prédio”.

Bloco F

Nome: Aranaqui
Idade: 77 anos
Profissão: Aposentado. Antigamente, trabalhava como autônomo
Morador há 12 anos
“O Copan é o melhor lugar para casais sem crianças morarem. Meu apartamento é uma suíte. Costumo almoçar e jantar em restaurantes aqui mesmo. Em 12 anos, nunca presenciei nada muito espantoso”, disse ele.

 

Trabalho elaborado pelos alunos Carlos Eduardo Amato, Amanda Barros, Gabriela Monteiro, Ivan, Juliana Storch, Laura, Luiza, Marcela Dantas, Amanda Succar, Bruna Pacifico, Camila Moreno, Giulianna Bendinelli, Marina Ribeiro, Marina Vilas Boas, Pedro Lemos, Raphael M., Bruno, Rafael Wellesch, Carlos, Felipe Neves, Fernando Rinaldi, Luiz Henrique Ribeiro, Luiz Otávio Sena, Renato Barbeiro, Ricardo Sassi, Yusuke Suzuki, Marcella, Carolina e Raíssa, da 8ª série, turma MA1, do Colégio Visconde de Porto Seguro.
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