Início
   INÍCIO > Reportagens > São Paulo, 450 anos
   início
 minha página
 índice
 
Leia as reportagens enviadas pelas escolas
 
Veja também
Colégio Dante Alighieri
A cidade das diversidades
  Polícia Militar
  Turismo
  Frotas Aéreas
 
Colégio Visconde de Porto Seguro
  Sons de São Paulo
O mapa histórico de São Paulo
 

Colégio Visconde de Porto Seguro

Estação Júlio Prestes

Após visitarem a estação Júlio Prestes, os alunos do Colégio Visconde de Porto Seguro contam a história do local e a transformação ocorrida nele durante os anos 90, quando se tornou um grande complexo cultural. Confira também as entrevistas que os estudantes fizeram com funcionários e ex-funcionários da estação.

Patrimônio histórico

Patrimônio é um bem que pertence a uma pessoa ou a uma instituição, uma empresa. O patrimônio histórico também, mas ele pertence aos cidadãos, à coletividade. É muito importante porque é parte da história e da formação de um país, de um estado, cidade, de uma comunidade, um bairro. Esse patrimônio pode ser intangível (abstrato), que você não pode tocar, como a cultura, a história, os costumes, a tradição oral e língua de um país, por exemplo. E ele pode ser tangível (concreto), como um prédio, uma ponte, uma estátua, um parque ou até mesmo um lugar, uma cidade, por exemplo.

A estação de ferro Sorocabana, mais conhecida como estação Julio Prestes, é um dos patrimônios históricos mais importantes da cidade de São Paulo.

 

História

A estação original de São Paulo, muito próxima à atual (ficava na esquina das hoje ruas Mauá e General Couto de Magalhães), foi inaugurada em julho de 1875, junto com a linha São Paulo—Sorocaba. Em 1904, o relatório da Sorocabana indicou o "acabamento para o prédio da estação", que podia ser ou não uma reforma do prédio original, ou mesmo a construção de um novo. Mais tarde, em 1914, a estação passou a ocupar o prédio construído pelo escritório de Ramos de Azevedo e entregue nesse ano, construído para ser também escritório e armazém da Sorocabana.

Erguida entre os anos de 1926 e 1938, a estação Júlio Prestes era, ao lado das mansões e grandes edifícios que surgiam em São Paulo, uma mostra do poderio econômico da produção cafeeira do estado.

Construída com estrutura de concreto e alvenaria de tijolos, em estilo Luís XVI sobrecarregado com esculturas e detalhes, a Júlio Prestes seria a estação inicial da estrada de ferro Sorocabana, a principal veia de transporte de café em São Paulo.

Ocupando uma área total de 25 mil metros quadrados, seu projeto arquitetônico, de autoria de Cristiano Stockler das Neves e Samuel das Neves, chegou a ser premiado no III Congresso Pan-Americano de Arquitetos, de 1927. No entanto, o prédio foi, aos poucos, vivenciando fatores que implicariam na sua própria decadência.

O fim da era de ouro do café, somado à degradação da região central de São Paulo e do transporte ferroviário no Brasil, levou a estação Júlio Prestes ao esquecimento, a maus-tratos e, mais tarde, ao semi-abandono. Subdividido em três, parte de seu prédio abrigou, durante o regime militar (vigente no Brasil entre os anos de 1964 e 1983), o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), um órgão governamental que, como diz seu nome, mantinha a ordem política e social do estado de São Paulo (na prática, cuidava da repressão de opositores ao regime). Outra parte do edifício seguiu destinada ao transporte, sendo utilizada pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), o que ocorre ainda nos dias de hoje.

Por muitos anos utilizada como estação para trens (tipo de locomoção não muito popular no Brasil) ou como delegacia, em um bairro que por um tempo ficou marcado pela criminalidade, a edificação acabou por se transformar em mais um monumento perdido no caos paulistano.

 

Restauração

Mas, em 1990, a situação começou a mudar. O DOPS há muito tempo havia sido desativado e, ao lado de projetos de revitalização do centro, vindos não só da Prefeitura do Município de São Paulo, mas também do governo do estado, surgiu a proposta de se recuperar a estação e transformar parte de seu belo edifício na sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.

Dezoito meses de obras, que aliaram centenas de operários, técnicos especializados, procedimentos artesanais de longa tradição e as mais modernas tecnologias, transformaram a área central da estação (um enorme hall em forma de caixa de sapatos, com pé direito de 24 metros) em uma das mais belas, modernas e completas salas de concertos do mundo: a Sala São Paulo. Foram usados 45 milhões de dólares para restaurá-la. Uma parte dessa quantia foi doada por instituições independentes.

A coexistência com uma estação ferroviária requereu uma laje flutuante. Inaugurada em 1999, a sala ainda possui um forro móvel (motorizado, composto por diversos blocos independentes), que permite à acústica do local uma adaptação aos mais diversos tipos de música a serem executados. A estação ainda está em funcionamento, mas os trens vão apenas até Itapevi.

 

Personagens da estação Julio Prestes

É domingo de manhã na estação Julio Prestes. O estacionamento começa a se
encher. Jovens, adultos e idosos preparam-se para assistir ao concerto matinal na sala São Paulo, com a orquestra popular de câmara Duo Ello, dois percussionistas da Unesp que vão fazer um lindo espetáculo. A sala está lotada, não apenas por senhores de terceira idade (como muitos pensam), mas predominantemente por jovens, casais e pais levando seus filhos para assistirem ao espetáculo.

Ao lado está a estação de trem Julio Prestes. Trabalhadores esperando o trem para ir ao trabalho. Segundo o porteiro da estação, o qual entrevistamos, ela não é freqüentada apenas por trabalhadores humildes, mas também por muitos executivos que moram no interior. O porteiro também diz que a maioria das pessoas que freqüentam diariamente a estação respeitam sempre o mesmo horário. Segue abaixo a entrevista que fizemos com o porteiro da estação.

G = Grupo
P = Porteiro: Ademar
G: Nós estamos aqui para saber um pouco mais sobre a estação. Gostaríamos de saber há quanto tempo o senhor trabalha aqui?
A: Vim para São Paulo pequeno, comecei a trabalhar cedo. Aqui na estação, trabalho há dez anos.
G: Bom, então o senhor já viu e conheceu várias pessoas nesses anos todos?
A: Sim, aqui vem gente de todo o tipo, chinês, coreano, alemão, francês, jamaicano, enfim, muitos turistas. Mas, com certeza, a maioria das pessoas que freqüentam a estação são trabalhadores e executivos que passam por aqui todos os dias.
G: Como as pessoas o tratam?
P: Há pessoas que são supersimpáticas e me tratam bem. Mas também existem aquelas que parecem que nunca tiveram educação. Acho que elas têm um pouco de preconceito; afinal, eu sou apenas um porteiro.
G: Nossa, é uma pena que as pessoas pensem dessa forma, pois seu trabalho
é muito digno do respeito delas. Afinal, quem cuida da estação e faz com
que nada aconteça é o senhor.
A: Muito obrigado. Fico feliz em saber que existem pessoas como vocês que
reconhecem meu trabalho, pois eu o amo.
G: Bem, muito obrigado por tudo. Espero que nós não tenhamos atrapalhado o
senhor.
A: Sempre é um prazer falar com pessoas legais e interessantes como vocês. Espero ter ajudado em seu trabalho! Até logo.
G: Muito obrigado, espero que nos vejamos novamente.

 

Depoimento de um ex-funcionário

O pai de um dos integrantes do nosso grupo já trabalhou na estação e nos deu algumas declarações sobre as pessoas que a freqüentavam na época em que ele estava lá, entre 1978 e 1980. Confira:

”Antigamente, freqüentavam a estação pessoas de classe social média e alta
de diversas raças e cores, prevalecendo mais brancos do que negros. Na época em que eu trabalhava como engenheiro civil na Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa), o local já estava em declínio, porque a região concentrava muitas pessoas de vários lugares, principalmente de subúrbios e municípios próximos. Concentrava a estação Julio Prestes, a estação da Luz e a estação rodoviária, trazendo todo tipo de gente possível e de todos os lugares do Brasil, entre elas desocupados, imigrantes, trabalhadores, etc. A região era muito perigosa por causa da ocupação de marginais e prostitutas. O prédio tem uma torre do relógio de onde se vê todo o bairro dos Campos Elíseos, onde antigamente moravam os milionários de São Paulo.”

 

Reportagem e entrevistas feitas pelos alunos Felipe Fontoura, Fernando Henrique, Alessandra, Carolina, Gabriela, Maria Julia, Mariana, Rachel de Sá, Bia, Manuela, Maria Imaculada, Marina, Renata, Gustavo Storch, Ju L., João Bornhausen, Per Christian e Rodrigo Piva, da 8.ª série MA3, do Colégio Visconde de Porto Seguro.
« voltar



Copyright © 1999-2012. Portal Educacional. Todos os Direitos Reservados.

Termos de uso | Quem somos