Início
   INÍCIO > Reportagens > São Paulo, 450 anos
   início
 minha página
 índice
 
Leia as reportagens enviadas pelas escolas
 
Veja também
Colégio Dante Alighieri
A cidade das diversidades
  Polícia Militar
  Turismo
  Frotas Aéreas
 
Colégio Visconde de Porto Seguro
  Sons de São Paulo
O mapa histórico de São Paulo
 

Colégio Visconde de Porto Seguro

Largo São Francisco: a eterna casa do estudante

Alunos do Colégio Visconde de Porto Seguro contam a história do famoso Largo São Francisco, que começou como convento e se transformou em faculdade.

O Largo de São Francisco começou a ser formado em 1647, com a inauguração do Convento. A Igreja de São Francisco é marcada pelo seu estilo simples, de beleza singela. É hoje uma das poucas construções em estilo autenticamente colonial. Em 1776, os padres franciscanos, incorporados ao convívio comunitário, criaram uma escola agregada ao convento. Os ensinos da tecnologia, da moral, da retórica e do latim suscitaram a vinda de um número significativo de estudantes. Em 1827, um decreto do governo imperial instituiu a Faculdade de Direito, que deveria ser instalada no Convento São Francisco. Por volta de 1800, os paulistanos chamaram o local de Largo do Capim, em uma referência à gramínea que florescia ali. Em 1828, foi instalada a Academia de Direito, depois Faculdade de Direito, que passou a ocupar as dependências do antigo Convento de São Francisco. Assim, a população passou a referir-se ao logradouro como Largo do Curso Jurídico. Entretanto, desde meados do século XIX, o largo já assumia a sua atual denominação de Largo de São Francisco. Ali também funcionou, em 1852, a primeira Biblioteca Pública de São Paulo. Passaram pela Faculdade de Direito, nomes ilustres como Ruy Barbosa, Prudente de Morais, Campos Salles, Washington Luis, Jânio Quadros, Rodrigues Alves, entre tantos outros.

O Largo São Francisco, desde a abertura dos cursos jurídicos na Faculdade de Direito, tornou-se espaço consagrado pelos estudantes para manifestações cívicas e discursos laudatórios às personagens da história brasileira. As reuniões estudantis aconteciam em torno de uma velha cruz de pedra que, embora demolida em 1870, determinara o destino daquele espaço. Foi ali que estudantes, professores, intelectuais e o povo defenderam o movimento Constitucionalista de 32 e mostraram seu desagrado à ditadura Vargas. Em 1958, foi construído em mármore, um parlatório, símbolo arquitetônico da oratória própria de manifestações cívicas, em frente à faculdade. Em 1976, o projeto de reurbanização do largo e a construção do calçadão permitiam maior integração do Parlatório (ou Tribuna Livre) ao edifício da faculdade. Por esta tribuna, passaram desde políticos como Ulisses Guimarães, até escritores como Lygia Fagundes Telles. No inicio dos anos 70, em pleno regime militar, a Reitoria da Universidade de São Paulo pretendia transferir o curso de Direito do antigo prédio do Largo de São Francisco para o câmpus da Cidade Universitária. No local definido para a construção do novo edifício, foi lançada uma pedra fundamental.

Contrários a essa medida e em defesa da tradição e da memória das “Arcadas”, estudantes mobilizaram-se num ato de protesto: durante a noite, eles arrancaram a pedra fundamental. A Reitoria providenciou a colocação de uma nova pedra, que foi novamente arrancada pelos estudantes e, desta vez, substituída por uma outra pedra contendo seguinte mensagem: “Quantas pedras forem colocadas, tantas arrancaremos”. A USP desistiu do projeto e a placa dos estudantes está hoje na calçada do Largo de São Francisco, marcando sua vitória.

 

A Faculdade de Direito

A Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo foi criada em 11 de agosto de 1827, segundo uma lei imperial. Ela é a Faculdade de Direito mais antiga do Brasil. Poucos anos após a independência política brasileira, o projeto do Império era o de formar cidadãos para governar e administrar o país. Seus objetivos foram logo alcançados. Formaram-se ali dez presidentes da República, inúmeros governadores, prefeitos, políticos e administradores públicos. Desde o século XIX, formaram-se todos os anos juristas bem qualificados, ensinando e liderando causas de interesse público. O acervo institucional da escola é composto por documentação escrita, iconográfica e tridimensional da riqueza de sua história. Para conservar e organizar esses acervos, foi criado um museu da Faculdade de Direito, atuando integralmente com o arquivo e a biblioteca. É um meio de aprofundamento e valorização dos conhecimentos da história e da riqueza cultural que ela representa no cenário paulista e nacional, voltado para alunos, atuais e antigos, funcionários, e para o público. No acervo, não existem somente obras e objetos reunidos nas salas destinadas ao museu, mas existe um conjunto de pinturas, esculturas, vitrais, placas e outros itens, vinculados ao prédio em várias de suas dependências, do portal de entrada às salas de aula e de trabalho, que formam o memorial de uma história do Brasil vista e construída a partir da Faculdade de Direito.

 

Entrevistas

1.ª Entrevista - No Centro Acadêmico XI de Agosto (Grêmio do Largo São Francisco), entrevistamos os seguintes diretores: Leila, 22 anos, 4.º ano; Pedro,18 anos, 2.º ano e Carlos, 20 anos, 2.º ano.

Como vocês se chamam?
Leila - Leila, Pedro e Carlos.

De que ano vocês são?
Pedro - Eu e o Carlos estamos no 2.º e a Leila no 4.º.

Quantos anos vocês tem?
Leila - Eu tenho 22, o Pedro 18 e o Carlos 20.

Vocês precisaram fazer cursinho para entrar na faculdade?
Carlos - Eu fiz um ano, a Leila também e Pedro não, passou direto.

Qual a função de vocês aqui no grêmio?
Leila - Nós somos diretores aqui do centro acadêmico. Nossa função é promover a integração dos alunos com a faculdade e o Brasil. Além disso, cuidamos da política da faculdade e promovemos eventos.

Nós percebemos que o prédio está muito descuidado. Vocês estão fazendo alguma coisa a respeito?
Pedro - Nós já contratamos uma empresa, inclusive já temos alguns tapumes lá fora, mas a empresa que perdeu a concorrência entrou com um recurso na justiça, então a obra parou por um tempo.

 

2.ª Entrevista - Célio Eduardo da Silva, trabalha na faculdade há 15 anos.

Qual é seu nome?
Meu nome é Célio Eduardo da Silva.

Há quanto tempo você trabalha aqui?
Há 15 anos.

O que você faz aqui?
Sou chefe de seção.

E o que você faz exatamente?
Eu cuido da vigilância e da telefonia.

 

3.ª Entrevista - Joedilson trabalha há dois anos e meio na faculdade. É encarregado substituto da vigilância.

Qual é seu nome?
Meu nome é Joedilson.

Há quanto tempo você trabalha aqui?
Há dois anos e meio.

O que você faz na faculdade?
Sou vigilante substituto.

O que um vigilante faz?
Eu controlo a entrada e a saída das pessoas, garantindo assim a segurança da faculdade.

Conte-nos um fato marcante na sua carreira como vigilante da faculdade.
Uma vez houve um assalto ao posto bancário da faculdade e, como eu ainda não tinha uniforme, fui confundido com um assaltante e a polícia me levou.

 

4.ª Entrevista - André Cruz, fez dois anos de Advocacia e mudou para Ciências Sociais, e André Nahoum, que está no 4.º ano da faculdade.

Como vocês se chamam?
André C.- Eu sou o André Cruz e ele é o André Nahoum.

Em que ano vocês estão?
André N.- Eu estou no 4.º ano, mas ele fez dois anos e parou.

Por que você saiu?
André C.- Eu saí porque não senti uma ligação forte com a Advocacia, então decidi mudar para Ciências Sociais antes que fosse tarde.

O que você acha da faculdade?
André N.- Eu acho muito legal, pois nós fazemos grupos de estudo. Afinal, aprendemos não só na sala como também nos corredores. É lógicos que também há uma integração com as outras profissões para ficarmos mais informados na nossa própria área.

 

5.ª Entrevista - Professor Maurício, trabalha na faculdade há 9 meses.

Como o senhor se chama?
Maurício.

O que o senhor faz?
Trabalho com Processo Penal.

Há quanto tempo?
Na faculdade, há nove meses.

O senhor estudou aqui?
Estudei e adoro muito esse lugar.

O senhor sente diferença entre os alunos de hoje e os de antigamente?
Sim, pois os alunos de antigamente tinham uma relação diferente com o professor. Eles o temiam e o respeitavam mais. Hoje eles são mais práticos, vêm de shorts e chinelos de dedo.

O que o senhor acha desses alunos “cabulando”?
Eu acho que um aluno que está na faculdade tem de ter maturidade para saber o que quer. Quando eu não assistia às aulas era porque estava envolvido com algo da faculdade.

 

6.ª Entrevista - Maria Lúcia, diretora da biblioteca há dois anos, porém, trabalha na faculdade há 15.

Como você chama?
Maria Lúcia.

Qual é sua função?
Sou diretora da biblioteca, tenho várias funções.

Há quanto tempo você trabalha aqui?
Aqui, há 15 anos. Mas nesse cargo há dois.

Quando a biblioteca foi fundada?
Em 1825, antes mesmo da faculdade.

Quantos livros ela tem?
350 mil livros, sendo o mais antigo de 1532. Esse tipo de livro é manuseado com máscaras e luvas.

Como são conservados os livros?
Os livros antigos são mais duráveis, pois são feitos de fibra de algodão. Sua restauração é fácil. Os livros de hoje não vão durar tanto porque têm muita química.

 

Pesquisa e entrevistas realizadas pelos alunos: Luca Palermo, Felipe Setti, Rodrigo Miguel, Christian Spina, Ricardo Leite, Camila Coiro, Daniella Abdalla, Marcela Trinta, Mariane Oshiro, Zeinab Raddawi, Beatriz Januário, Beatriz Figueira, Andrezza Pichini, Roberta Fernandes, Déborah Fittipaldi. Estudantes da 8ª série, turma TA4, do Colégio Visconde de Porto Seguro.
« voltar



Copyright © 1999-2012. Portal Educacional. Todos os Direitos Reservados.

Termos de uso | Quem somos