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Bairro da Liberdade

Alunos do Colégio Visconde de Porto Seguro estiveram visitando o famoso bairro da Liberdade, mais conhecido como “A São Paulo japonesa”. Eles mostram as semelhanças entre o bairro e o Japão e entrevistam moradores e visitantes. Confira!

História

Muito antes dos orientais, o bairro da Liberdade era conhecido como o bairro dos italianos, já que estes ocupavam a maioria das pensões que havia nas redondezas.

Depois de um certo tempo os imigrantes japoneses chegaram ao Brasil para trabalhar nas plantações de café. A Liberdade se tornou um bairro perigoso para os japoneses por causa da Segunda Guerra Mundial. Com a participação do Japão no conflito a favor das tropas alemãs, o governo brasileiro proibiu o uso da língua japonesa no Brasil.

Em 1969, após os ânimos terem serenado-se, a Liberdade finalmente se transformou em um bairro tipicamente japonês. Os prédios foram restaurados e a rua Galvão Bueno recebeu um imenso portal na Via Cidade de Osaka.

 

Cotidiano

No ano passado, a imigração japonesa completou 95 anos. A maior parte dos pioneiros desse processo cruzou o oceano em busca de melhores condições de vida. A Liberdade, hoje reconhecida como um grande centro comercial, é para muitos descendentes nipônicos o símbolo da busca e conquista da felicidade. Quem passeia pela Liberdade se sente como se estivesse no Japão. Anda-se entre pilastras vermelhas com as típicas lanternas japonesas Suzaranto, jardins orientais, e por dezenas de restaurantes japoneses. As ruas de mais comércio são a Galvão Bueno e a Rua dos Estudantes. Lá, podem ser comprados quimonos e livros em japonês.

 

  Crédito: Celina
 

Ainda para os turistas, há lojas que vendem lembranças típicas do Brasil. Durante a semana já é muito movimentado, mas o movimento cresce ainda mais nos domingos, quando acontece a feira de artesanato. Sem falar também nas festas tradicionais que são realizadas durante o ano.

Na Liberdade, existem muitas lojas que comercializam produtos japoneses, como revistas, livros e mangás, os famosos quadrinhos japoneses. Há também vários restaurantes de comida muito parecida com a do Japão (apesar de existirem restaurantes de outros gêneros, a maioria é da culinária oriental) e hotéis. Na maior parte das lojas, os vendedores são japoneses. Quase no final do bairro, existem barracas que vendem CDs, toalhas e outras coisas. O bairro da Liberdade é freqüentado por moradores de diversos lugares de São Paulo.

Crédito: Ronald  
 

As ruas são muito movimentadas. Nas calçadas, há milhares de pessoas andando, procurando por algum produto ou algo diferente. Além de tudo ser muito bonito, algumas pessoas dizem que a cidade ficou muito mais suja nestes últimos anos. Nós, brasileiros, achamos que o bairro da Liberdade é muito parecido com Tóquio.

 

 

Opinião

1. Takehiko Ishitani, 62 anos, é japonês, mora perto de Tóquio e costuma vir sempre a São Paulo por causa do seu trabalho de importação e exportação. Na sua opinião, o bairro não tem muitas semelhanças com o Japão, talvez só as comidas típicas. O que o impressiona é o fato de muitos jovens trabalharem e estudarem, pois no Japão a maioria só estuda.

2. Shuji Fukumoto, 32 anos, está no Brasil há um ano. Gosta de passear no bairro da Liberdade, mas mora no Jardim Paulista. Acha que aqui no Brasil há mais insegurança do que no Japão.

3. Saraya T. é moradora do bairro e acha tudo muito animado na Liberdade. Gosta muito da feira, mas acha que o bairro deveria se expandir mais. Por causa dos muitos postos policiais, acha a região mais segura do que outros lugares da capital.

4. Paulo S. R., morador da Vila Clementino, costuma freqüentar a feira do bairro da Liberdade uma vez por mês, juntamente com sua filha de 2 anos. Acha que a região está muito bem cuidada e nunca viu violência na feira. Apesar disso, ele afirma que não gostaria de morar na Liberdade por achá-la muito comercial e tumultuada.

Entrevistas


Yosie Nakata

Há quanto tempo você mora aqui?
Há 51 anos.

O que levou você a morar aqui?
A família.

Qual é o nível de vida da Liberdade?
Bom.

Como é morar aqui?
É conviver perto das tradições.

Quais são suas desvantagens?
Muito movimento, pouca área verde.

Durante o dia é muito agitado?
Sim. Para o comércio, é bom.

Você acha a Liberdade um bairro violento?
Não.

Você está satisfeito com o seu bairro?
Sim.

O que você faz com seu tempo livre?
Leio algo, ouço música japonesa e toco instrumento.

 

Nikatsu Furukava

Há quanto tempo você mora aqui?
Há 58 anos. Vim para o Brasil com 11 anos.

O que levou você a morar aqui?
A semelhança com o Japão.

Qual é o nível de vida da Liberdade?
A vida é boa, principalmente para os idosos.

Como é morar aqui?
É poder viver junto com outros imigrantes japoneses que possuem passado parecido com o seu.

Quais são suas desvantagens?
Como a culinária japonesa está “na moda”, a procura aumentou bastante, o que também trouxe muito movimento, e, para nós, mais velhos, isso não é tão agradável como para os mais novos.

Você acha a Liberdade um bairro violento?
Não, mas está cada vez pior...

Está satisfeito com o seu bairro?
Sim, mas acho que deviam promover mais eventos nipo-brasileiros para que a Liberdade não perca seu clima oriental.

O que você faz com seu tempo livre?
Gosto de ir ao parque caminhar e praticar ioga de manhã.

 

Akemi Furukava

Há quanto tempo você mora aqui?
Desde que nasci.

O que levou você a morar aqui?
Meus pais, com medo da Segunda Guerra Mundial, fugiram para o Brasil, mais especificamente para a Liberdade.

Qual é o nível de vida da Liberdade?
Além da Liberdade ser muito movimentada, o nível de vida ainda é bom.

Como é morar aqui?
É morar em um pedaço do Japão no Brasil, com suas culturas e tradições.

Quais são suas desvantagens?
A violência, assim como em toda a cidade de São Paulo, que vem crescendo a cada ano.

Você acha a Liberdade um bairro violento?
Ainda não, mas, como disse anteriormente, a cada ano que passa piora.

Você está satisfeito com o seu bairro?

Sim, apesar da falta de áreas verdes e parques.

O que você faz com seu tempo livre?
Gosto de fazer compras, ler e ir a eventos culturais japoneses.

 

Reportagem e entrevistas feitas pelos alunos Lucas Speck, Johann Killing, Janina Baake, Katya Heitkötter, Marcos R. Teske, Andréa, Larissa, Maria Carolina, Martina, Roberto, Stephanie, Mathias, Vitor, Ronald, Piero, Philip e Joelle, do Colégio Visconde de Porto Seguro. - 8.ª Série MB2
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