| Por muito tempo,
a Estação da Luz transportou as riquezas
de São Paulo rumo a outros estados. Hoje em
dia, é utilizada por milhares de pessoas que
vão do trabalho para casa e vice-versa. Saiba
mais sobre essa estação na reportagem
dos alunos do Colégio Visconde de Porto Seguro.
A
principal prova da importância do desenvolvimento
que o plantio de café trouxe, não só
à cidade de São Paulo como a todo o
estado, foi a construção da Estação
da Luz. Ainda hoje, o empreendimento representa uma
fração do glamour que marcou o início
do século XX. Sua construção
ficou a cargo da São Paulo Railway Company,
que pretendia aumentar a malha ferroviária
para escoar o café da região de Jundiaí
para o porto de Santos.
Aberta ao público em 1.º de março
de 1901, a Estação ocupava uma área
de 7.500 metros quadrados no Jardim da Luz, onde hoje
ainda se encontram as estruturas trazidas da Inglaterra
que copiam o Big Ben e a Abadia de Westminter.
Não
houve inauguração, já que o tráfego
foi sendo deslocado aos poucos para a Estação,
e não demorou muito para que o novo marco da
cidade fosse considerado a sala de visitas de São
Paulo. Todas as personalidades ilustres que tinham
a capital como destino eram obrigadas a desembarcar
lá. Empresários, intelectuais, políticos,
diplomatas e reis foram recepcionados em seu amplo
saguão e também por lá passavam
ao se despedir. O lugar também era freqüentado
pela elite paulistana, onde se podia comer no restaurante
Vagliengo, cuja comida era muito apreciada por seus
freqüentadores.
A importância da São Paulo Railway
Station, como era oficialmente conhecida, durou até
o fim da Segunda Guerra Mundial. Após esse
período, o transporte ferroviário foi
sendo substituído por aviões e pela
construção de rodovias. Eram meios de
transporte muito mais rápidos que os trens.
Para piorar as coisas, o prédio da Luz foi
destruído por um incêndio em 1946, dois
dias antes de ser encampado pela Rede Ferroviária
Federal.
A
reinauguração aconteceu em 1950, com
a estrutura do hall bastante modificada.
A decadência no ciclo ferroviário fez
com que inúmeros ramais fossem desativados
e, no lugar, a estação passou a receber
trens suburbanos. O Vagliengo deixou de ser restaurante
em 1973 para se transformar em lanchonete, onde eram
servidas refeições rápidas, mais
adequadas aos novos tempos, e, dez anos depois, foi
fechado por conta das reclamações dos
passageiros e funcionários da Rede Ferroviária.
Em 1996, a Estação da Luz passou a
ser patrimônio nacional. Para preservar esse
patrimônio, a Prefeitura reurbanizou o local,
cuidando do parque próximo e cercando-o. Desde
1995, há um projeto no qual os trens urbanos
vão integrar-se à rede do metrô.
Em conseqüência disso, a Estação
da Luz receberá, estimam os técnicos,
algo em torno de 35 mil passageiros por hora. Tais
números evidenciam não apenas a importância
social da iniciativa, mas permitem antever o efeito
benéfico que a circulação dessa
quantidade de usuários trará para a
revitalização do bairro da Luz.
Entrevistas
1- Qual é o seu nome?
R.: Paulo Ferreira.
2- Qual é a sua idade?
R.: 22 anos.
3- Há quanto tempo você freqüenta
a Estação?
R.: Há uns dois anos, mas agora só freqüento
nos fins de semana.
4- Houve mudanças na Estação
ao longo desse período?
R.: Sim, a restauração e a ligação
direta Luz, Braz e Barra Funda, que está ajudando
muito.
5- Você acha que alguma coisa deveria mudar
na Estação?
R.: Acho que deveria haver mais trens, pois demora
muito para chegar um. Às 18 horas, então,
é um caos.
6- Que tipo de pessoa freqüenta a Estação?
R.: Acho que a maioria é trabalhador e visitante.
7- Quanto custa a passagem de trem?
R.: A passagem unitária custa R$1,90.
8-
Qual é o seu nome?
R.: Laura Cristina de Sousa.
9- Qual é a sua idade?
R.: 38 anos.
10- Em que e onde você trabalha?
R.: Trabalho aqui na Estação mesmo.
Sou da área de limpeza dos trens.
11- Há quanto tempo você trabalha aqui
na Estação?
R.: Há cinco anos.
12- Houve muitas mudanças na Estação
durante esse período?
R.: Sim, muitas mudanças. Houve aumento no
número de freqüentadores, sem falar na
reforma que foi feita.
13- Você acha que alguma coisa deveria mudar
aqui na Estação?
R.: No momento não, está bom assim.
14- Que tipo de pessoa freqüenta a Estação?
R.: Todo tipo de pessoa, trabalhadores, turistas...
15- Você gosta de trabalhar aqui?
R.: Gosto, principalmente por causa dos meus colegas
de trabalho.
16-
Qual é o seu nome?
R.: Marisa Pereira de Araújo.
17- Qual é a sua idade?
R.: 48 anos.
18- Em que e onde você trabalha?
R.: Trabalho aqui na Estação mesmo.
Sou agente operacional 1.
19- Há quanto tempo você trabalha aqui
na Estação?
R.: Há três anos.
20- Houve mudanças na Estação
durante esse período?
R.: Sim, foram colocadas catracas eletrônicas,
que ajudaram muito.
21- Você acha que alguma coisa deveria mudar
aqui na Estação?
R.: No momento não, ela já está
em mudança.
22- Que tipo de pessoa freqüenta a Estação?
R.: A maioria é trabalhador, mas há
muitos turistas também.
23- Você gosta de trabalhar aqui?
R.: Gosto muito! Adoro trabalhar aqui porque nós,
agentes operacionais, trabalhamos cada dia em um lugar
diferente. Por exemplo: hoje estou nas catracas, ontem
estava trabalhando na bilheteria.
24- De que horas a que horas o movimento cresce?
R.: Das 7 às 9 horas, porque é o desembarque,
e das 16 às 19 horas, por causa do embarque.
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