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Edifício Martinelli

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Colégio Visconde de Porto Seguro

Edifício Martinelli

 

Alunos do Colégio Visconde de Porto Seguro estiveram visitando o edifício Martinelli, um dos maiores e mais tradicionais de São Paulo. Os estudantes contam a história do edifício, entrevistam funcionários, moradores e ex-moradores e falam sobre suas atuais normas de funcionamento.

A saga do Giuseppe Martinelli, o criador do arranha-céu

Nascido em 1870, em Lucca, Itália, Giuseppe Martinelli sempre sonhou cursar a faculdade de Arquitetura. Chegou a iniciar o curso, entretanto, o sonho de concluí-lo não pôde se realizar por causa de dificuldades financeiras. Trabalhou como pedreiro antes de imigrar para o Brasil, em 1889.

Martinelli cresceu junto com a cidade, começou a trabalhar como mascate e açougueiro. Com o passar do tempo, foi crescendo profissionalmente, até tornar-se um grande armador, tendo uma frota com 22 navios.

Foi então que resolveu realizar de outra forma seu sonho de se tornar arquiteto, construindo um prédio que fosse um tributo à cidade que adotara. Para isso, vendeu sua frota e deu início a um arranha-céu em 1924, projetado para ter 12 andares, em um grande terreno que lhe pertencia. O autor desse projeto foi o arquiteto húngaro Willian Fillinger.

O cimento era importado da Suécia e da Noruega. Nas obras, trabalhavam mais de 690 artesãos italianos e espanhóis. Diversos imprevistos prolongaram a obras. Fundações abalaram um prédio vizinho, o que foi resolvido com a compra desse prédio; e os cálculos estruturais complexos levaram à importação de uma máquina de calcular Mercedes, da Alemanha.

E Martinelli não parava de acrescentar andares ao seu edifício, até que ele chegou a 20 andares. Nessa época, o próprio Martinelli já havia assumido o projeto arquitetônico e, além disso, trabalhava como pedreiro.

Quando o prédio atingiu 24 andares, foi embargado por não ter licença. Após o processo ter corrido no tribunal e posteriormente ter sido aprovado pela justiça, Martinelli queria chegar aos 30 andares e chegou, construindo sua residência em cinco andares, no topo do prédio. Entre os inquilinos do edifício Martinelli, estavam partidos políticos como o PRP, jornais, clubes, sindicatos, restaurantes, boates, o hotel São Bento, o cine Rosário e a escola de dança do professor Patrizzi.
Mesmo antes de sua conclusão, o prédio já havia se tornado um símbolo e ícone de São Paulo.

Contudo, para Martinelli, a construção do prédio acarretou sérios problemas financeiros e, em 1934, ele foi forçado a vender o edifício para um banco italiano. Em 1943, com a declaração de guerra do Brasil ao Eixo, todos os bens italianos foram confiscados, e o Martinelli passou a ser parte da União, sendo rebatizado com o nome de edifício América.

 

Tempos de crise

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a cidade entrou em uma fase de enorme progresso. Em 1947, o Martinelli perdeu o titulo de prédio mais alto de São Paulo para o seu vizinho, o edifício Banespa. Na década de 1960 e no início da de 70, o prédio entrou em uma rápida deterioração por causa de uma série de fatores e se tornou uma favela vertical, ocupada por famílias de baixa renda (o edifício era uma das poucas opções de moradia barata no centro), apresentando péssimas condições de salubridade.

O Martinelli passou a ser cenário de vários crimes de grande repercussão nos anos 60, como o do menino Davilson, que foi violentado, estrangulado e jogado no poço do elevador. O assassino nunca foi encontrado em meio à miséria e a degradação humana. Mas essa situação mudou alguns anos depois.

Em 1975, o então prefeito de São Paulo, Olavo Setúbal, sensibilizado com as precárias condições em que se encontrava o edifício, decidiu reformá-lo totalmente. O projeto de revitalização esteve a cargo do Escritório Técnico J. C. de Figueiredo Ferraz. No final dos anos 70, a obra foi concluída. Hoje em dia, o edifício é ocupado por escritórios e repartições públicas da Prefeitura de São Paulo. Em 1992, o edifício Martinelli foi tombado pelo Patrimônio Histórico.

 

Antiga e atual atividade

Antigamente, o espaço abrigava escritórios, consultórios, escolas de dança, restaurantes, barbearias, lojas, residências, além do famoso cine Rosário e o luxuoso hotel São Bento. Durante a Segunda Guerra Mundial, o edifício transformou–se em um cortiço, e logo após a guerra foi restaurado. Em 1979, o prédio foi aberto para o funcionamento e visitação do público. Atualmente, tem 18 andares para repartições públicas e o restante para particulares.

NORMAS DE FUNCIONAMENTO
1. Horário de funcionamento:
  Portaria São Bento: das 8h às 18h
  Portaria Libero Badaró: das 8h às 19h
2. Acesso ao prédio:
  Portaria São Bento
    - Usuários permanentes;
- Visitantes;
- Portadores de deficiência;
  Portaria Líbero Badaró
    - Usuários permanentes;
- Visitantes;
- Portadores de deficiência;
- Mudanças (fins de semana);
- Volumes (antes das 8h/após as 19h);
  Portaria S. João
    - Volumes;
- Valores;
- Comissões.
3. Acesso do usuário permanente: Com cartão de identificação, pessoal e intransferível. Sua utilização por outro usuário que não seja o titular será tratada como falsidade ideológica.
4. Acesso do visitante e de prestadores de serviços: Cadastro informatizado com liberação automática da catraca.
5. Acesso em horário especial:Somente com autorização escrita dirigida à Supervisão de Segurança.
6. Não é autorizada a entrada de vendedores para comercialização de produtos junto aos usuários.
7. Acesso externo para eventos:
  Área comum — somente com autorização e regras da administração.
  Área particular — somente com autorização e regras estabelecidas pelos proprietários, que deverão consultar a administração do condomínio.
8. Todos os usuários permanentes devem estar identificados.
9. Necessitam de autorização escrita com 24 horas de antecedência da administração do condomínio:
  Avisos no sistema interno de som e elevador;
  Acesso ao prédio fora do horário de expediente;
  Retirada de materiais, bens e equipamentos;
  Serviço de funcionários do condomínio;
  Execução de serviços com reflexo na rotina externa ao seu setor ou que tenham de ter contato com a estrutura do prédio.

Depoimento do Sr. Ovídio, antigo freqüentador do edifício:

Da época em que eu freqüentava o edifício, eu me lembro de alguns detalhes, pois fiz aula de dança no 25.º andar, que, antes de ser a escola de dança do professor Patrizzi, era a boate Salão Verde. Também me lembro do período em que o edifício se transformou em um cortiço e em cenário de crimes; havia prostitutas e ladrões nos corredores. Mas, depois, a Prefeitura despejou a todos e reformou o edifício, que ficou novíssimo e, hoje em dia, é um dos maiores marcos de São Paulo, sendo muito bem cuidado.

ENTREVISTA COM ROGÉRIO (BOMBEIRO DO PRÉDIO)

1- QUAL É O SEU NOME E HÁ QUANTO TEMPO VOCÊ TRABALHA AQUI?
Meu nome é Rogério e trabalho aqui há 10 anos.

2- NO QUE VOCÊ TRABALHA E POR QUE VOCÊ VEIO TRABALHAR AQUI?
Eu trabalho com salvamento, primeiros socorros, grupo de risco e bombeiro. Eu vim trabalhar aqui porque, na época, estava desempregado e me ofereceram uma proposta boa de serviço, mas eu não tinha intenção de ficar por muito tempo. Depois que vim, acabei gostando e resolvi ficar.


3- ENTÃO VOCÊ GOSTA DE TRABALHAR AQUI?
Gosto. As pessoas são mais ou menos amigáveis e eu encontro todos os tipos de aventuras. Por exemplo: suicidas. Eu já perdi a conta de quantas vidas já salvei. E, em todos esses anos, já conheci todos os tipos de pessoas, desde as mais amigáveis às mais insuportáveis.

3- PARA QUE SERVE ESSE PRÉDIO? ELE JÁ TEVE OUTRA UTILIDADE?
Ele serve como repartição pública. Ele abriga a Emurb, Sehab, Cohab, Procentro, Anhembi Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo, Banco Itaú, Caixa Econômica Federal, Sindicato dos Bancários, SVP, SGM e USPESP. Ele já serviu para várias coisas, como cinema e hotel, e vários partidos políticos já tiveram suas sedes no edifício, assim como clubes e associações.

4- QUE TIPO DE PESSOA FREQÜENTA ESTE LOCAL E POR QUÊ?
Pessoas mais simples, o "povão", geralmente representantes de favelas, complexos de moradia públicos e outras organizações públicas vêm aqui em busca de liberação de favelas e outras coisas do tipo.

5- O PRÉDIO E AS PESSOAS QUE O FREQÜENTAM MUDARAM COM O DECORRER DOS ANOS?
Não. Desde que eu entrei aqui, é sempre o mesmo tipo de pessoa que o freqüenta.

 

Trabalho elaborado pelos alunos Antônio, Eduardo, Sérgio, José, Camila, Fernanda, Gabriela, Philipp, Marina Diez, Rachel, Eric, Pedro, Luís Felipe, Guilherme, Ingo, Beatriz, Flávio, Isabella, Paula, Renata, Luiz e Pedro Massurek, da 8.ª série do Colégio Visconde de Porto Seguro. - 8.ª Série MA2
» Confira também a história e as curiosidades do Edifício Martinelli, através da reportagem dos alunos do Colégio Dante Alighieri
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