| Conheça
um pouco mais da história do tradicional Mercado
Municipal da Cantareira, contada pelos alunos do Colégio
Visconde de Porto Seguro. Nesta reportagem, os estudantes
falam também sobre a estrutura desse estabelecimento
e seus ramos de atividade, além de entrevistarem
alguns clientes e comerciantes.
História
Em
1928, por iniciativa do então prefeito José
Pires do Rio, começou a ser construído
em São Paulo o Mercado Central ou Mercado da
Cantareira, um importante edifício feito em
estilo neoclássico. Seu projeto, que demorou
quatro anos para ser preparado e custou na época
dez mil contos de réis, foi feito pelo conceituado
escritório do arquiteto Francisco de Paula
Ramos de Azevedo, o mesmo que projetou o Fórum,
o Palácio das Indústrias e o Teatro
Municipal de São Paulo.
Ergueu-se, então, um imponente prédio
de 13.600 m² sobre um terreno de 22.164,89 m²,
com um requintado acabamento, coleção
de belos vitrais e uma excelente solução
de iluminação natural graças
ao uso de clarabóias e telhas de vidro. Seus
desenhos mostram a produção agrícola
e pecuária em São Paulo na época
da inauguração. Uma de suas atrações,
ainda hoje, são os 55 vitrais em estilo gótico
trazidos da Alemanha, de autoria do artista russo
Conrado Sorgenitch.

A inauguração oficial aconteceu no
dia 25 de janeiro de 1933. Na época, o prefeito
era Teodoro Ramos, e o interventor federal em São
Paulo era Valdomiro Castilho de Lima. Quase ninguém
acreditava no sucesso do Mercado, pois, para aquela
região da cidade, não havia nenhuma
condução. Somente em 1939 é que
começaram a circular as três primeiras
linhas de bonde servindo as ruas próximas da
Várzea do Carmo.

Na construção do Mercado Municipal,
entre 1927 e 1933, o prédio serviu de quartel
para a revolução de 32. No início
de seu funcionamento, em seu piso inferior era feita
a venda de verduras e legumes no atacado e, no superior,
a venda no varejo. Após a inauguração
da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais
do Estado de São Paulo (Ceagesp), grande parte
do comércio atacadista de verduras transferiu-se
para lá, fazendo com que o então Mercado
Municipal da Cantareira passasse a funcionar apenas
em seu piso inferior, onde atualmente podemos encontrar
tanto o comércio atacadista quanto o varejista.
O piso superior serve agora à Divisão
Técnica de Manutenção da Prefeitura.
O que o Mercado Municipal oferece
O
que o Mercado Municipal oferece é a mistura
de todos os tipos de alimentos, entre eles carnes,
peixes, frutos do mar, aves, queijos (lá você
encontra dos mais variados tipos, sabores e texturas),
frutas cristalizadas, verduras, vinhos, chocolates
e ingredientes de empórios que fazem dele uma
referência nacional.
Ele constantemente aparece como ponto turístico
nos meios de comunicação de nossa cidade.
Por essa razão, possui grande número
de clientes e atrai inúmeros visitantes.
Visitando o mercado, você vê uma arquitetura
bela e apreciada pelos clientes. Local calmo e tranqüilo,
famílias inteiras vêm ao mercado para
comprar boas frutas e comer bem. Os melhores pastéis
de bacalhau (famosos e imitados por todos) e os sanduíches
de mortadela se tornaram referências, tanto
que, agora, em qualquer lugar se pede um “sanduíche
de mortadela igual ao do Mercado”.
A estrutura do Mercado funciona como um tipo de feira-livre
diária para os moradores da região central
durante a manhã e como central de verduras
e legumes de madrugada. Funciona de segunda a sábado,
das 4 às 16h. E o atacado, das 22 às
4h.
Atualmente, há mais de mil pessoas trabalhando
no mercado. Os seus 316 boxes atendem a cerca de 20
mil fregueses que, a cada dia, levam mais de 350 toneladas
de alimentos desse sexagenário prédio
municipal.
Ramos de atividade
O Mercado Municipal possui 316 boxes, divididos quanto
ao ramo de atividade, da seguinte forma:
| Grupo de Comércio |
Quantidade de Permissionários |
01 –
Quitanda
|
189 |
| 02 - Açougue |
34 |
| 03 - Avícola |
08 |
| 04 - Peixaria |
21 |
| 05 – Empório/mercearia |
23 |
| 06 – Laticínios |
23 |
| 07 – Utilidades
domésticas |
02 |
| 08 – Floricultura |
01 |
| 09 – Pássaros
e peixes ornamentais |
02 |
| 10 – Lanchonete |
08 |
| 18 – Entidades
assistenciais |
01 |
| 19 – Tabacaria |
01 |
| 21 – Café
|
03 |
|
ENTREVISTAS
DONO
DE BARRACA 1
— Qual é o seu nome?
— Eny.
— Há quanto tempo você tem essa
barraca?
— Há 50 anos.
— O que você vende?
— Frios, salgados e especiarias em geral.
— Ultimamente, como têm sido as vendas?
— Elas caíram um pouco por causa dos
salários.
— Quantas pessoas freqüentam o Mercado
e a sua barraca por dia?
— Seis mil no mercado e 500 na minha barraca.
— Qual é a mercadoria mais procurada?
— A lingüiça.
— Em que dia da semana vem mais gente?
— Às sextas, sábados e domingos.
DONO
DE BARRACA 2
— Qual é o seu nome?
— Luís Paulo.
— Há quanto tempo você tem essa
barraca?
— Há 37 anos.
— O que você vende?
— Frutas em geral.
— Ultimamente, como têm sido as vendas?
— Razoáveis. Elas caíram um
pouco.
— Quantas pessoas freqüentam o Mercado
e a sua barraca por dia?
— Centenas.
— Qual é a mercadoria mais procurada?
— O mamão e a pêra.
— Em que dia da semana vem mais gente?
— Aos sábados.
CLIENTE
1
— Qual é o seu nome?
— Zilda.
— Com que freqüência você
vem aqui?
— Uma vez a cada dois meses.
— Onde você costuma comprar mais?
— Na barraca de queijos.
— Que produtos você compra mais?
— Parmesão e provolone.
— Em que dia da semana você vem mais
aqui?
— Aos sábados.
— Você compra tudo aqui ou freqüenta
outros mercados?
— Freqüento outros.
— O que acha deste mercado?
— Bárbaro. A arquitetura é muito
legal.
CLIENTE
2
— Qual é o seu nome?
— José Alves Santana.
— Com que freqüência você
vem aqui?
— Duas vezes por ano.
— Onde você costuma comprar mais?
— Na barraca de temperos.
— Que produtos você compra mais?
— Pimenta, canela e ervas em geral.
— Em que dia da semana você vem mais
aqui?
— Aos sábados.
— Você compra tudo aqui ou freqüenta
outros mercados?
— Freqüento outros.
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