| Alunos do Colégio
Visconde de Porto Seguro conheceram de perto o viaduto
Santa Efigênia, que, com sua iluminação,
é um dos mais belos cenários de São
Paulo. Os estudantes contam a história do local
e entrevistam as pessoas que estão presentes
no dia-a-dia do viaduto.
O
viaduto Santa Efigênia demorou uma década
para ser construído. Inaugurado em 26 de setembro
de 1913, na gestão de Raymundo Duprat, sua
construção começou três
anos antes, com estrutura metálica já
moldada, trazida da Bélgica. Ele liga o Largo
de São Bento ao bairro Santa Efigênia.
Sua obra foi executada entre 1911 e 1913, com projeto
dos arquitetos italianos Giulio Michetti e Giuseppe
Chiapori. O viaduto de metal tem 225 metros de comprimento
e foi encomendado na Bélgica, de onde as peças
vinham prontas para serem montadas aqui, o que demorou
três anos. Na construção das fundações,
atuou o mestre-de-obras alemão Grundt. Os responsáveis
alegavam que a cidade não dispunha de mão-de-obra
especializada para garantir a execução
de uma obra perfeita como essa, o que a tornou a mais
cara realizada na época, tanto que pela primeira
vez o município aventurou-se a pedir um financiamento
— 750 mil libras esterlinas — junto ao
governo da Inglaterra. O objetivo era facilitar o
trânsito dos carros e carruagens que enfrentavam
a difícil ladeira da Avenida São João,
além de melhorar o trânsito dos bondes
que subiam a Rua São Bento e a Rua XV de Novembro,
e que contariam, a partir de então, com uma
ligação mais eficiente entre os dois
lados do Anhangabaú, do Centro Velho ao Centro
Novo.
O
viaduto no começo era usado para a passagem
de bondes. Depois de um tempo, foi utilizado também
para a passagem de carros. Desde o começo da
década de 1970, é usado como passarela
de pedestres, com exceções para a passagem
de alguns carros. Ele também é um cartão-postal
de São Paulo.
Seus gradis são um testemunho da belle
époque, com destaque para o estilo art
nouveau, embora já não sejam tão
rebuscados. Em 1978, o viaduto teve sua estrutura
totalmente recuperada pela Emurb e uma escada metálica
que dá acesso ao Vale do Anhangabaú
foi acrescentada a ele. Com estrutura pintada de ocre,
arcos multicoloridos e uma iluminação
noturna que destaca suas linhas, essa obra marca,
ao lado do viaduto do Chá, a paisagem do vale.
Junto ao viaduto está localizada a igreja
Santa Ifigênia (Basílica de N. S. da
Conceição), uma das primeiras capelas
da cidade. Ela começou a ser construída
no início do século XIX, foi demolida
e, em 1912, reinaugurada.
Curiosidade
·José Oswald Nogueira de Andrade (pai
do escritor) foi o responsável pelo projeto,
que foi apresentado à Câmara de Vereadores
em 1901 e 1904.
| O
vale e o viaduto Santa Efigênia |
| Administração:
|
Barão
Raymundo Duprat |
| Plano e direção
de construção: |
Giulio Micheli |
| Inauguração:
|
26 de julho de
1913 |
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1.100 toneladas
de ferro importado da Bélgica
225 m de comprimento; 13,60 m de largura
Parapeito de ferro forjado (detalhe)
O viaduto já teve leito carroçável.
Em 1978, ele foi restaurado e transformando
em calçadão. |
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Entrevistas
Entrevistamos três pessoas: um camelô,
uma vendedora de um mini-shopping e um guarda*. Veja
como foram nossas entrevistas.
Camelô
Há quanto tempo você freqüenta
o viaduto?
Há três anos, mas eu sou camelô
há 20 anos.
Qual é a importância dele para você?
É aqui que eu ganho o meu dinheiro, então
a importância dele é o meu emprego, pois
é só eu colocar a barraquinha aqui que
vendo o suficiente para me manter.
Nesses três anos trabalhando aqui, qual
a mudança que você notou?
A segurança melhorou.
Para você, essa mudança foi boa?
Por quê?
Não, porque como eu não tinha autorização,
eles levaram. Mas, mesmo assim, eu ponho os carrinhos
no chão e dá para vender.
Você acha que há movimento aqui?
Como você soube que havia movimento?
Aqui há bastante movimento sim. Eu soube desse
movimento porque sou camelô há 20 anos.
Já trabalhei na 25 de Março e em outros
lugares também.
Você tem alguma curiosidade ou alguma história
que aconteceu aqui no viaduto para nos contar?
Sim, tenho duas histórias. Uma é que
houve um homem que se jogou do viaduto de tão
desesperado que estava. Ele estava desempregado. A
outra é de uma mulher que também estava
tão desesperada que quis se matar. Ela jogou
álcool no corpo inteiro e, quando ia acender
o isqueiro, um camelô o tirou da mão
dela e a salvou.
Guarda
civil municipal
Há quanto tempo você trabalha aqui?
Eu não tenho lugar fixo. Como sou guarda, cada
dia fico em um lugar. Mas, se vocês quiserem
saber sobre o viaduto, podem perguntar, pois eu posso
ver se sei.
Qual é a importância do viaduto para
você?
Aqui é onde nós, guardas, ajudamos as
pessoas. O viaduto é uma preservação
do patrimônio de São Paulo.
Você sabe se, de uns anos para cá,
aconteceu alguma mudança nele e qual foi ela?
A segurança melhorou bastante. Eram muitos
camelôs e, por isso, aqui era tumultuado. Havia
muitas pessoas andando para lá e para cá,
isso quando conseguiam passear. Nesse aspecto, o viaduto
mudou e muito. Nós somos responsáveis,
agora, por tudo o que acontece aqui.
Você teria alguma curiosidade para nos contar?
Sim. Adoniran Barbosa fez uma música para o
viaduto. Ela é muito bonita. O viaduto foi
feito, na verdade, para juntar o Centro Antigo com
o Centro Novo. Quando ele foi construído, era
freqüentado só por pessoas de uma classe
social altíssima. Era muito chique freqüentar
o viaduto.
Vendedora
de loja do mini-shopping que fica no viaduto
Há quanto tempo você trabalha aqui
no viaduto?
Há dois anos.
Ele tem alguma importância para você?
Ele é um patrimônio de São Paulo.
Vem bastante gente gravar propagandas aqui, pois ele
é muito bonito.
Há um bom movimento aqui?
Sim, é possível vender bastante.
Aconteceu alguma mudança nesses anos?
Sim, a segurança melhorou bastante. Antes,
havia muitos camelôs aqui, parecia a 25 de Março.
Agora, apesar de ainda existirem muitos, não
há tantos como antes.
Essa mudança foi boa para você? Por
quê?
Sim, pois antes as pessoas compravam as mercadorias
nos camelôs, já que eles vendiam mais
barato. Agora, essas mesmas pessoas compram aqui.
Veja abaixo algumas fotos do viaduto Santa Ifigênia:
Vista do viaduto Santa Ifigênia, no Centro
de São Paulo, que foi projetado pelos arquitetos
italianos Giulio Micheli e Giuseppe Chiappori e construído
entre 1911 e 1913 com estrutura metálica importada
da Bélgica.
 
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