Segundo o Ibama e a própria Renctas, uma das alternativas que mais dá
resultados na luta contra o tráfico de animais silvestres é a criação
em cativeiro. “Para cada animal criado em cativeiro e vendido legalmente,
um a menos é negociado pelo tráfico”, afirma Luis Fernando
Medeiros, secretário da Associação Brasileira de Criadores
e Comerciantes de Animais Silvestres e Exóticos — Abrase. Para se
ter idéia da importância desse número, basta lembrar da proporção
de nove animais mortos para cada um comercializado por intermédio do tráfico
ilegal.
| Crédito: Abrase |
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| Puma criado em cativeiro em criadouro
no Brasil. |
A lógica é simples: além de gerar empregos e mais divisas
para o estado combater o tráfico, a regulamentação de criadouros
legais diminui a caça. Assim, também cessam os maus-tratos dos
traficantes aos animais, e as espécies ficam protegidas da extinção.
Para Medeiros, um exemplo de criadouros bem-sucedidos são os de jacarés
do Pantanal, implantados no Mato Grosso do Sul a partir de 1980. “Com
a criação comercial, a caça acabou, e o perigo de extinção
desse animal também. Tanto que o jacaré já é até
considerado, em alguns pontos do Pantanal, uma praga”, diz.
O secretário explica que, em todo o mundo, principalmente nos países
desenvolvidos, a legislação sobre comércio legal de animais
é bastante rica e permite até incentivos governamentais aos criadores.
“Após a criação da Convenção Internacional
de Comércio de Fauna e Flora Ameaçadas (Cites), acabou o comércio
de animais sem critérios e exigências. Desde então, vários
países adotaram uma legislação que controla, fiscaliza
e regulamenta o comércio legal”. Foi dessa forma que a Europa,
os EUA e o Japão conseguiram reverter o comércio ilegal para apenas
2% do total.
Mesmo assim, a conscientização continua sendo uma arma importante:
um dos maiores obstáculos a serem vencidos é o preço. O
oferecido pelos traficantes é infinitamente mais baixo que os dos criadouros,
o que já inviabilizou o comércio legal em algumas regiões
do país. “Certamente, outras atitudes governamentais, como fiscalização
mais rigorosa, são necessárias para ajudar nessa guerra”,
diz Medeiros.
Segundo o secretário, o Brasil ainda não aproveita todo o seu
potencial de recursos de fauna. Ele diz que espécies brasileiras já
são criadas em outros países, proporcionando uma fonte legal de
recursos e gerando, direta e indiretamente, milhares de postos de trabalho.
“Desde que começamos a fazer importação de animais
para o Brasil, há quatro anos, o comércio ilegal interno caiu.
Se pudermos oferecer animais criados com essa finalidade e controlados pelo
Estado, certamente o comércio ilegal vai praticamente desaparecer”.