por Diogo Dreyer da Silva

Você sabia que, ao comprar qualquer papagaio ou arara, você está ajudando a dar continuidade a uma das mais cruéis atividades ilegais que existem? Pois é, para cada um desses bichos que chega à casa de alguém, outros nove morreram. Nesse ritmo, quase cem espécies de animais desaparecem todos os dias em nosso planeta.

Crédito: Roberto Cabral Borges / Ibama
Meio usual de transporte de animais contrabandeados: não possui espaço, água ou comida.

O papagaio da vovó, o mico-leão que o vizinho ostenta orgulhoso ou qualquer pássaro engaiolado de alguém que você conhece. Pode não parecer, mas manter esse tipo de bicho em casa é contribuir para uma das atividades criminosas mais rentáveis do mundo: o tráfico de animais silvestres. Estima-se que essa atividade movimente 10 bilhões de dólares por ano, dos quais o Brasil participa com 15% aproximadamente. Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente — PNUMA (Perfil do PNUMA — 1992) —, cerca de cem espécies desaparecem todos os dias da face da Terra, e o comércio ilegal de animais é uma das principais causas desse quadro.

Além do dinheiro gerado ilegalmente, a atividade envolve também muita crueldade por parte dos traficantes. Não existem estatísticas exatas, mas as estimativas assustam: entre 12 e 38 milhões de filhotes de aves e mamíferos são tirados de nossas matas todos os anos. Destes, acredita-se que apenas 1% chega ao destino final, e o restante morre nas mãos dos traficantes devido a maus-tratos. Ou seja, se as estimativas mais otimistas estiverem corretas, de cada 10 filhotes arrancados de seu habitat natural, nove morrem antes mesmo de serem comercializados.

Crédito: Roberto Cabral Borges / Ibama
Estas maritacas foram tiradas do ninho pelo traficante. Por não saber cuidar dos animais, ele acabou matando todos.
E, para que se sustente o tráfico internacional, existe uma bem estruturada rede de tráfico interno. Ela se inicia com o ribeirinho ou outro indivíduo que resida junto ao ambiente natural e capture e aprisione os animais para depois vendê-los diretamente aos turistas ou aos atravessadores, que os transportam para os grandes centros de compra. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — Ibama —, os principais meios de transporte utilizados para contrabandear esses animais são os barcos na Região Norte e os caminhões e ônibus nas outras regiões do país. Alguns deles transportam, em média, 2 mil espécimes por vez.

Aqueles animais que não são diretamente “exportados”, por meio das fronteiras e aeroportos, normalmente são encaminhados para o Rio de Janeiro ou São Paulo, onde são vendidos em feiras livres. Já o tráfico internacional é sofisticado, esquematizado e planejado e envolve grandes empresas, laboratórios e até pessoas milionárias que “colecionam” os animais.

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