O fluminense Dener Giovanini, 35, coordenador-geral da Renctas, tem uma história
singular na luta contra o tráfico de animais, pois está envolvido
com a causa ambiental desde os 15 anos de idade. “Minha vida sempre esteve
ligada a essa atividade. Já participei de várias ONGs e fui secretário
de Meio Ambiente do município de Três Rios, no interior do Rio
de Janeiro”, conta. Há cinco anos, ele criou a ONG que coordena
atualmente. “Foi uma iniciativa minha, e ainda me assusto pensando em
como as coisas aconteceram rápido com a gente”.
Tão rápido que hoje Giovanini e sua organização
são considerados os maiores especialistas em combate ao tráfico
de animais no país. E esse reconhecimento agora é internacional.
O ambientalista está indo a Nova Iorque para receber das mãos
do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o Prêmio Unep-Sasakawa,
do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente — o mesmo
que foi conferido a Chico Mendes em 1990. Esse prêmio é considerado
o “Nobel do meio ambiente”, já que a categoria meio ambiente
não faz parte do prêmio entregue anualmente na Noruega.
“Esse reconhecimento vai nos ajudar muito a combater o tráfico
no Brasil. A visibilidade que ele nos dá é mundial. A partir de
agora, teremos acesso a governantes e instituições para fazer
parcerias e, no futuro, concretizar o sonho de ter uma rede mundial para combater
o tráfico. Vou usar meu discurso na ONU para chamar a atenção
para o problema”, diz orgulhoso.
Mesmo sofrendo ameaças, Giovanini não tem medo de terminar sua
trajetória da mesma maneira que o seringueiro Chico Mendes. “Infelizmente,
já sofri ameaças. Isso até se tornou rotina. Mas nossa
raiva e indignação contra os traficantes são maiores que
qualquer medo. Antes, eu dava mais importância às ameaças.
Hoje, não. Tive de me mudar do Rio de Janeiro para Brasília para
buscar mais segurança. O Rio é considerado a capital do tráfico.
E o estado do Rio de Janeiro tem mais de 100 feiras que comercializam animais
silvestres”, afirma.
A Renctas é parceira do Ibama, sendo responsável por treinar
policiais florestais e agentes de fiscalização em aeroportos e
realizando um eficiente trabalho de divulgação de informações
que ajudam a combater o tráfico, graças a sua rede composta de
980 colaboradores em todo o país.
Desde que começou a atuar, em 1999, essa ONG contribuiu para a prisão
de 100 traficantes, coisa rara no país. Além disso, ela ajuda
na pesquisa e conservação da vida selvagem no Brasil. “Com
esse prêmio, o Brasil terá a liderança mundial no combate
a essa atividade criminosa, e vejo a minha responsabilidade crescer muito”,
diz Giovanini.
Para conhecer mais o trabalho da entidade, tornar-se voluntário ou até
mesmo fazer uma denúncia, acesse o site da RENCTAS.