A militância política

Jorge Amado sempre pensou no País, na sociedade, no povo e nas pessoas de maneira muito particular. Ele procurava entender certos fenômenos e, a partir disso, refletir sobre as possibilidades de solução. Esse tipo de pensamento e preocupação acabou escoando para sua produção literária, às vezes de forma mais viva e reconhecível e noutras, mais velada ou disfarçada.

Mas a reflexão político-social habitou sua vida também de outra forma. Jorge Amado, formado advogado, tinha uma preferência e uma identificação muito fortes com os conceitos comunistas e, por isso, se tornou um militante. Mas isso, lá pelas décadas de 1930 e 40 do século passado, não era uma coisa simples, fácil. Getúlio Vargas estava no poder e o regime não gostava muito de quem fazia oposição, de quem tinha ideias ou ideais diferentes daqueles pregados por ele. Como Amado passou a fazer exatamente isso, tratando de ser publicamente um opositor àquele sistema, foi preso várias vezes. Ainda assim, apesar das prisões e de todo transtorno físico, emocional e financeiro que tais fatos podem ocasionar, continuou com seus livros e sua luta.

Mas em 1941, a situação ficou feia pro seu lado e ele acabou tendo que se mudar do Brasil. Passou dois anos na Argentina e no Uruguai e, quando voltou, foi preso e obrigado a ficar na sua casa, em Salvador. Mas claro, Jorge não era um homem de aceitar conformado os mandos e desmandos de um regime autoritário e desobedeceu, foi pra São Paulo. Por lá, contrariando muita gente, mas satisfazendo outras tantas, se elegeu deputado federal pelo PCB.

Lá por 1948 o País continuava vivendo num ambiente político complicado: o PCB foi decretado como ilegal e todos os parlamentares associados ao movimento comunista foram cassados. Lá se ia embora do Brasil, novamente, Jorge Amado, que naquela época, foi procurar exílio na França; ficou pouco tempo e foi obrigado a procurar outro país. Juntou forças com outros artistas e escritores e mudaram-se todos para a Tchecoslováquia.

Mas o coração de Amado era verde e amarelo e em todo período longe de sua terra, só queria voltar. Fez isso em 1952 e a partir do seu retorno foi abandonando a militância política, cedendo mais espaço para sua produção literária. Em 1955, deixou de fazer parte do PCB.

As idéias e ideais, entretanto, fazem parte do homem e de alguma forma se consolidaram em suas obras. Entre a carreira política e a de escritor, optou pela segunda. Foi a forma que encontrou de mudar, de melhorar o mundo.