Que país é esse?

O Brasil começou a ganhar força e forma a partir das primeiras décadas do século passado. E esse boneco, esse desenho do País passou a ser um pouco inventado, um pouco traduzido a partir da leitura e voz de grandes nomes nacionais que se dedicaram a pensar e a falar sobre o povo brasileiro.
Músicos, escritores, sociólogos, artistas e intelectuais de toda sorte passaram, a partir do início do século XX, a filosofar sobre o tipo brasileiro. E com isso o conheciam, o apresentavam e o inventavam. Tudo ao mesmo tempo.

Um dos nomes importantes desse conhecimento, feitura e apresentação simultâneos do país foi Jorge Amado. E ele fez isso de várias formas: criando personagens (com traços fortes dessa “marca”, que assimilamos como o ser brasileiro); inventando histórias (como muitas que aconteceram perto dele ou que ouviu aqui e ali); mostrando paisagens paradisíacas de um país ensolarado, salgado e esteticamente farto; arrumando jeitos de mostrar um povo lutador, forte e alegre. Em cada um de seus livros, Jorge Amado deu colorido especial a uma fatia do que acreditava e queria para o Brasil. E como sua obra se desdobrou em um numero incrível de vendas, adaptações, sucesso internacional, etc., as pessoas, dentro e fora, passaram a acreditar que o que estava nas obras de Jorge Amado era o Brasil – e tudo que estava lá, passou a ser o Brasil!

Esses dois aspectos se alimentaram de tal maneira que hoje são incontestáveis, porque quando criticam dizendo que o país não é só isso, têm que calar diante do fato de que hoje e sempre o Brasil também é isso. Porque Jorge Amado, usando a máxima de Tolstoi, cantou primeiro sua aldeia, buscou em volta de si material para alimentar e inspirar suas criações.

Se o Brasil não é só a Bahia com suas mulheres sensuais, seus homens guerreiros, sua mistura de religião, seu misterioso mar e sua luta cotidiana por vida melhor, ele também é isso tudo de maneira forte, viva, real, reconhecível. E quem ajudou a descobri-lo, criá-lo e revelá-lo ao mundo foi Jorge Amado, inventor de um país que começou, como com Cabral, na Bahia, a nossa primeira estação.